A decisão de Lula tem gerado forte reação interna no Supremo e amplia o desgaste entre magistrados e o governo, apesar da aliança institucional construída desde os atos golpistas de 8 de Janeiro.
Por Redação – de Brasília
Na volta do carnaval e a partir desta Quarta-Feira de Cinzas, a retomada dos trabalhos no Congresso ocorre sob a sombra do escândalo do Banco Master. No centro da crise, em curso, está a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de garantir “carta branca” ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ampliar as investigações que alcançam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e sua relação com Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada pelo Banco Central (BC).

A decisão de Lula tem gerado forte reação interna no Supremo e amplia o desgaste entre magistrados e o governo, apesar da aliança institucional construída desde os atos golpistas de 8 de Janeiro. A ordem política para apurar o caso, “doa a quem doer”, segundo o presidente, passou a ser lida no STF como um movimento de confronto direto, na interpretação de analistas políticos ouvidos pela mídia conservadora.
Sequência
A crise se agravou quando Toffoli deixou a relatoria do caso Master e, em seguida, vieram à tona vazamentos sobre uma sessão secreta do Supremo com elogios a ele. No enredo reconstituído pelo diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, a sequência alimentou suspeitas de monitoramento interno e de quebra de protocolos legais.
Para ministros do STF, de acordo com a análise, a Polícia Federal (PF) teria agido de maneira “clandestina e ilegal” ao avançar sobre Toffoli sem autorização da Procuradoria-Geral da República. A contestação foi rebatida por Andrei Rodrigues, que sustentou que as informações repassadas ao presidente do STF, Edson Fachin, constavam no celular de Vorcaro.