Ao longo dos últimos dias, diversos políticos se posicionaram contra a contratação do técnico, alegando que sua ligação com uma empresa da Rússia era incompatível.
Por Redação, com ANSA – de Roma
O técnico Andrea Pirlo, do Dubai United, foi descartado pela Federação Italiana de Futebol (Figc) para assumir a seleção do país devido ao seu envolvimento com uma casa de apostas russa.

A notícia foi confirmada pelo próprio treinador, que era dado como certo para liderar o projeto de reconstrução da Azzurra, em uma publicação no Instagram na manhã desta segunda-feira.
– Por respeito às instituições, à federação e a todas as pessoas envolvidas, decidi até agora manter silêncio, mas, depois de ter ficado sabendo que não estava mais entre os candidatos à seleção italiana, sinto que é meu dever esclarecer alguns aspectos – disse Pirlo em seu perfil na rede social.
– Nos últimos dias, assisti com grande amargura ao debate que se desenvolveu ao redor do meu nome e da possibilidade de exercer o cargo de técnico da seleção italiana – acrescentou o ex-meio-campista, em referência às críticas sofridas na Itália por ele ser garoto-propaganda da casa de apostas russa Fonbet.
Ao longo dos últimos dias, diversos políticos se posicionaram contra a contratação do técnico, alegando que sua ligação com uma empresa da Rússia era incompatível com o apoio da Itália à Ucrânia na guerra no leste europeu.
Segundo Pirlo, no entanto, esse acordo é fruto de seu trabalho no Dubai United, clube dos Emirados Árabes Unidos, e tem “natureza exclusivamente comercial e esportiva”. “Atribuir a tal colaboração um significado político significa atribuir a mim convicções que nunca expressei e que não me pertencem”, afirmou.
Figc
O treinador ainda agradeceu ao diretor técnico da Figc, Paolo Maldini, e ao consultor Leonardo, que lideram o processo de escolha do novo comandante da Azzurra, pela “estima e confiança que demonstraram”.
– Lamento que uma escolha de caráter esportivo tenha sido rapidamente arrastada para um confronto público que acabou por atribuir à minha pessoa significados e intenções que não me pertencem. O amor pela Itália não depende de um cargo. Faz parte da minha história, da minha identidade, e continuará sempre me acompanhando – finalizou o campeão mundial de 2006.
Maldini e Leonardo foram nomeados pelo novo presidente da Figc, Giovanni Malagò, há cerca de duas semanas, e primeiro entraram em contato com o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, que tem contrato até 2030 e não se mostrou disponível para treinar a Azzurra.
Em seguida, se reuniram com Pep Guardiola, sem clube desde sua saída do Manchester City, no fim da temporada passada, porém ouviram do espanhol que ele vai priorizar a família neste momento.
Pirlo foi a terceira escolha da Figc e, apesar dos poucos resultados positivos em sua curta carreira como treinador, era visto por Maldini e Leonardo como alguém capaz de renovar o futebol italiano, que não disputa a Copa do Mundo desde 2014.
Agora as atenções se voltam para Antonio Conte e Roberto Mancini, que já treinaram a Azzurra e despontam como favoritos a voltar ao cargo.