Rio de Janeiro, 17 de Janeiro de 2026

Empresas ligados ao Master faturam alto em terras públicas

Investigações revelam que empresas ligadas ao Banco Master faturam alto com créditos de carbono de terras públicas na Amazônia, levantando questões legais e éticas.

Sexta, 16 de Janeiro de 2026 às 22:49, por: CdB

As empresas ligadas ao Banco Master vendiam estoque de carbono da área pública conhecida como ‘Fazenda Floresta Amazônica’, localizada no município de Apuí (AM), com extensão total de 143,9 milhões de hectares.

Por Redação – de São Paulo

Em um novo desdobramento das investigações em curso acerca de possíveis golpes financeiros do Banco Master, duas empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira liquidada pelo Banco Central (BC), obtiveram uma valorização de mais de R$ 45,5 bilhões, com base em “créditos de estoques de carbono” com origem em uma terra pública, pertencente à União, em plena Floresta Amazônica, o que torna impossível legalmente que se tornem a base para os créditos privados.

Empresas ligados ao Master faturam alto em terras públicas | As empresas vendiam títulos de captação de carbono
As empresas vendiam títulos de captação de carbono

Documentos obtidos pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP) e divulgados nesta sexta-feira mostram que as empresas Golden Green e a Global Carbon, ambas controladas por fundos geridos pela Reag, investigada pela Polícia Federal (PF), passaram por reavaliações de ativos bilionárias por meio de auditorias e pareceres que se apoiaram na contabilidade das unidades de estoque de carbono de área conhecida como ‘Fazenda Floresta Amazônica’, localizada no município de Apuí (AM), com extensão total de 143,9 milhões de hectares.

“A questão é que essa terra não pertence a essas empresas, tampouco poderia ser arrendada para uso econômico privado, pois se trata de uma área pública voltada à destinação social, para reforma agrária”, aponta a FSP.

 

Sem lastro

Nenhuma auditoria ou laudo desde o início das operações, conforme apurou a reportagem, “tratou de verificar a regularidade da área, que tem problemas fundiários conhecidos há anos pelas autoridades e que já foram alvo de outras operações da Polícia Federal. O tipo de crédito obtido, valorado em bilhões, também não encontra nenhum lastro no mercado, porque não são comercializados”.

O  Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmou a informação: “Trata-se de área da União, destinada a Projeto de Assentamento Federal, contendo matrícula e Portaria de Arrecadação dos anos 1980”. Qualquer comercialização de ativos de carbono baseados na floresta da região seria um ato irregular, de acordo com o Instituto.

 

Cadastro

Questionado sobre como avalia o fato de a região lastrear os créditos de carbono das duas empresas, o Incra foi objetivo.

“Os negócios são irregulares e causam danos à União. Medidas administrativas e judiciais estão sendo adotadas”, acrescentou a autarquia.

Ainda segundo o Incra, para evitar negociações sobre a área, foi aberto um processo administrativo de fiscalização que vetou o cadastro do imóvel no Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR); além de ter negado a certificação do imóvel no Sistema de Gestão Fundiária (Sigef).

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