Em 25 de outubro, o Brasil decide se entrega o poder à extrema-direita miliciana ou se reafirma a soberania e a justiça social. A consciência vencerá o torpor!
Por Railton Nascimento Souza – de Brasília
A eleição presidencial que se decide no segundo turno, neste 25 de outubro, não é uma disputa qualquer. Quando o Brasil completa 137 anos de República, em 15 de novembro, o que está em jogo é o destino do país: se seguiremos como uma democracia soberana, aberta à diversidade e comprometida com a dignidade humana, ou se mergulharemos num projeto que usa a fé, a família e a pátria como fachada. Não se trata de uma simples disputa entre direita e esquerda. Flávio Bolsonaro não é um adversário democrático comum: sua trajetória e suas alianças o situam no campo da extrema-direita antidemocrática.

Pare e pense: o que você quer para o país em que seus filhos vão viver?
Flávio se criou na política sob a sombra de milícias e do crime organizado no Rio. Foi eleito deputado estadual aos 21 anos, em redutos dominados por milicianos, e sua passagem pela Assembleia fluminense ficou marcada por ter concedido a Medalha Tiradentes ao chefe de uma das mais perigosas milícias cariocas — o mesmo miliciano cuja mãe e cuja esposa foram nomeadas para seu gabinete, no caso das “rachadinhas”. Seu alinhamento internacional é revelador: a família Bolsonaro se aproximou da extrema-direita de Israel, de El Salvador, dos Estados Unidos e da Europa, buscando inspiração em modelos autoritários. Essa é a verdadeira face deles.
Sob o discurso de “Deus, família e patriotismo”, esconde-se um projeto de poder a serviço dos rentistas do mercado. As sinalizações econômicas de Flávio — que se espelham no malogrado experimento ultraliberal do argentino Javier Milei — seguem a cartilha do ajuste permanente: congelamento de gastos, pressão sobre o piso constitucional da saúde e da educação, contenção de benefícios assistenciais e uma agenda privatista que reduz o Estado a agente de acionistas ávidos por lucro, abandonando seu papel de indutor do desenvolvimento e de combate à desigualdade. Não é teoria: é o que o mercado já celebrou com alvoroço.
Quem defende a seriedade, a família, a moralidade e os valores cristãos precisa examinar com honestidade o que está em jogo. O Evangelho é claro: “Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes; estava nu e me vestistes”. Não se trata de prescindir da fé do povo, mas de perguntar a ele como conciliar essa mensagem de acolhimento e justiça com um projeto político que trata a proteção social dos mais vulneráveis como despesa a ser contida, que flerta com o ajuste permanente sobre saúde, assistência e educação e que se alia, na prática, a milicianos, entreguistas e rentistas, endossando o discurso de ódio e de discriminação.
Como associar os valores do Evangelho que acolhe os desprotegidos a uma extrema-direita que usa a família, a moral e o patriotismo como fachada para enganar os desavisados e entregar as riquezas do povo a potências estrangeiras, deixando-o mais pobre? Não há coerência cristã possível entre a defesa da dignidade do povo trabalhador e o apoio a esse projeto de exclusão.
E os jovens? Vocês, que sentem na pele a urgência de um país justo, sabem o que está em jogo. Um futuro com Flávio Bolsonaro é uma ameaça à educação pública universitária — com o enfraquecimento de programas de acesso e permanência —, aos empregos de qualidade e ao ambiente democrático, pacífico e aberto à diversidade. Quem tem 18 ou 20 anos hoje viverá as próximas décadas sob as consequências dessa escolha. Enquanto muitos se deixam tomar pela desesperança ou pelo fatalismo, multidões de jovens saem às ruas, em luta por um futuro digno.
Por isso, o caminho não é a confrontação pela confrontação, mas o diálogo firme e respeitoso — a única forma de superar o torpor da dissonância cognitiva provocado por campanhas intensivas de desinformação e polarização que circulam em igrejas, mídias tradicionais e redes sociais.
Consciência
Redobremos nossas campanhas pela consciência para superar essa onda de ódio, negacionismo científico e fake news que transforma milhões em zumbis imunes ao pensamento crítico e às evidências. É preciso romper esse cerco — e isso começa com uma pergunta simples: quem domina você e se beneficia quando você deixa de pensar criticamente?
Enquanto há tempo, é hora de lutar por um despertar geral da consciência. Todos os credos que efetivamente se comprometem com a fraternidade e a justiça devem se unir para impedir que essa extrema-direita tome o poder. Todo cidadão e toda cidadã, de qualquer agremiação de esquerda ou de direita, que tenha apreço pela democracia, pela soberania e pela justiça social deve votar em Lula. Eis um imperativo categórico.
No dia 25 de outubro, cada voto carrega o peso de uma década, de uma geração, de um país inteiro. Lula representa o futuro a ser construído por todos, com respeito à dignidade e aos direitos da pessoa humana. A escolha é entre a civilização e o precipício que leva ao ocaso — e ela está nas suas mãos!
Railton Nascimento Souza, é professor de filosofia, presidente do PCdoB Goiânia, presidente da FitraeBC (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Brasil Central) e coordenador-geral da Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino).
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