Rio de Janeiro, 16 de Janeiro de 2026

Descortino tático na disputa eleitoral

Por Luciano Siqueira  – A disputa eleitoral vai além da força inicial das candidaturas e exige inteligência tática, leitura correta do cenário, alianças bem costuradas e capacidade de adaptação ao longo do processo.

Sexta, 16 de Janeiro de 2026 às 09:53, por: CdB

A disputa eleitoral vai além da força inicial das candidaturas e exige inteligência tática, leitura correta do cenário, alianças bem costuradas e capacidade de adaptação ao longo do processo.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Muitas vezes parece, ao olhar desavisado, que a disputa eleitoral implica apenas medição de forças, com reduzido espaço para a astúcia tática.

Descortino tático na disputa eleitoral | A disputa eleitoral vai além da força inicial das candidaturas
A disputa eleitoral vai além da força inicial das candidaturas

Na próxima peleja pelos governos estaduais, por exemplo.

Entretanto, não é bem assim. Inúmeros são os casos em que candidaturas inicialmente fortíssimas, porque estribadas em arco de forças econômica e politicamente mais denso, vieram a naufragar em razão da má conduta tática. A começar pela escolha do conteúdo principal do discurso – tanto frente aos adversários, quando mais de um; como nas próprias proposições.

Parece mera divagação, mas não é.

A observação procede, ainda que em tese, no instante em que o cenário das eleições gerais deste ano começa a se desenhar também em âmbito estadual, em que a disputa por governos se fará entremeada com a presidência da República.

Na tradição brasileira, o desenho das alianças em âmbito nacional necessariamente não se reflete na província. A quase inexistência de partidos programáticos e nacionalmente unos e a permissividade da legislação eleitoral possibilitam feição furta-cor das coalizões locais.

Na história recente, pós-redemocratização, vários são os casos de candidaturas a governador muito fortes que não lograram êxito em razão de erros táticos cometidos, no discurso e na costura das alianças.

E o inverso também acontece. Candidatura que parte numa correlação de forças adversa e se vê quase que inexoravelmente derrotada, tende a experimentar alternativas táticas inventivas e hábeis, até em aparente desacordo com a estratégia inicialmente concebida, que ao final e ao cabo mostram-se satisfatórias.

Mais agora que, com muita antecedência, se fazem pesquisas reveladoras de tendências, mas não raro interpretadas de modo esquemático e mecânico, conforme os interesses em jogo.

Em Pernambuco, por exemplo, todos os institutos revelam números muito favoráveis ao pré-candidato a governador João Campos (PSB), recém-reeleito prefeito do Recife com 78,11% dos votos válidos. A governadora Raquel Lyra (PSD), que tentará a reeleição, tenderia a perder.

Fatores outros ainda ausentes

Isto se a eleição fosse agora, mas não é. Fatores outros ainda ausentes no quadro pré-eleitoral poderão provocar alterações – a existência de dois palanques em apoio a Lula, para presidente, por exemplo. Também o comportamento da direita bolsonarista, que mira o Senado como prioridade.

Em todos os cenários, aos que partem em vantagem cabe a pergunta: quais os fatores de risco?

Por enquanto, o jogo de alianças avança, mas segue em aberto. Após a quarta-feira de cinzas, findo o reinado de Momo, as coisas acontecerão pra valer.

O projeto eleitoral do PCdoB não inclui candidaturas próprias aos governos estaduais, mas o Partido pode e deve cumprir papel ativo no jogo tático das coligações de que fará parte.

 

Luciano Siqueira, é médico membro do Comitê Central do PCdoB e secretário nacional de Relações Institucionais, Gestão e Políticas Públicas do partido, foi deputado estadual em Pernambuco e vice-prefeito do Recife.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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