Rio de Janeiro, 18 de Março de 2026

Cuba volta a ter energia em meio à pressão dos EUA

Após um apagão nacional, Cuba restabelece sua rede elétrica enquanto enfrenta pressão dos EUA por reformas econômicas. Entenda a situação atual da ilha e suas implicações.

Quarta, 18 de Março de 2026 às 11:53, por: CdB

A economia cubana está sufocada desde que o envio de petróleo da Venezuela foi suspenso, após o sequestro de Nicolás Maduro.

Por Redação, com CartaCapital – de Havana, Washington

Os Estados Unidos aumentaram a pressão na terça-feira sobre as autoridades cubanas para que permitam reformas de livre mercado, enquanto a nação caribenha conseguiu restabelecer sua rede elétrica depois de um gigantesco apagão nacional.

Cuba volta a ter energia em meio à pressão dos EUA | Cuba sofreu com um apagão nacional nos últimos dias 
Cuba sofreu com um apagão nacional nos últimos dias 

Cuba, que reconheceu estar em negociações com Washington, fez alguns anúncios nesse sentido na segunda-feira, como o de permitir que sua diáspora invista em múltiplos setores econômicos, incluindo bancos, agricultura e infraestrutura.

No entanto, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que “não são suficientemente drásticos” os anúncios.

– Isso não vai resolver as coisas – declarou Rubio a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, onde acompanhava o presidente Donald Trump na recepção do primeiro-ministro irlandês, Michael Martin.

Por sua vez, o Departamento de Estado dos EUA indicou nesta terça-feira, em referência a alguns protestos registrados na ilha, que “o povo cubano reivindica (…) serviços básicos, subsistência e ser livre da tirania” e que “o regime cubano deve respeitar esses direitos fundamentais”.

Havana não demorou a reagir. “O governo dos Estados Unidos mantém uma guerra econômica implacável que nega a Cuba acesso a financiamentos, mercados, tecnologia e combustíveis, mas acusa o país de não saber administrar sua economia”, escreveu no X o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío.

Além disso, Washington “se apega a esse pretexto para ameaçar com uma agressão militar e a ambição de se apoderar” do país, acrescentou De Cossío.

Simultaneamente em Washington, a vice-chefe da missão de Cuba nos Estados Unidos, Tanieris Diéguez, declarou à AFP que ambos os países “têm muitas coisas a colocar sobre a mesa”, mas que nenhum deveria exigir do outro que mude seu sistema político.

– Nada relacionado ao nosso sistema político (…) faz parte das negociações – afirmou.

Na segunda-feira, Trump foi duro ao afirmar que aspirava à “honra de tomar Cuba”. Ao ser questionado sobre os próximos passos em relação à ilha, disse: “Eles estão falando com Marco (Rubio), e vamos fazer algo em breve”.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, prometeu na terça-feira em uma mensagem no X uma “resistência inexpugnável” diante das ameaças de Washington.

Segundo o jornal americano The New York Times, o governo Trump pressiona para que Díaz-Canel deixe o poder. Rubio, no entanto, negou a informação do NYT, que chamou de “falsa”.

‘Uma agonia’

Em meio à pressão de Washington, o governo cubano conseguiu restabelecer o serviço elétrico, após um apagão generalizado registrado ao meio-dia de segunda-feira em meio a uma grave crise energética.

“Restabelecido o Sistema Eletroenergético Nacional (SEN) e, com ele, os serviços fundamentais à população”, informou no X a empresa estatal de eletricidade (UNE).

Segundo a companhia, embora as 15 províncias do país tenham sido reconectadas ao SEN, os apagões programados continuam devido ao “déficit de capacidade de geração”.

– Viver neste país é uma agonia – declarou à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) Rolando, um pedreiro de 55 anos que preferiu não informar o sobrenome. “Se normalmente você tem quatro ou cinco horas de luz por dia, no máximo, então não tem vida”, detalhou.

A geração de eletricidade em Cuba é sustentada por uma rede de oito usinas termelétricas envelhecidas, algumas com mais de 40 anos de operação, que sofrem falhas ou precisam ser paralisadas para ciclos de manutenção.

Com 9,6 milhões de habitantes, a ilha sofreu, em quase um ano e meio, seis apagões generalizados. No início de março, dois terços do território, incluindo a capital, já haviam sido afetados por um corte parcial.

A economia cubana está quase paralisada desde que o governo Trump interrompeu, em janeiro, os envios de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, após derrubar e capturar Nicolás Maduro, e ameaçar sancionar outros países caso vendam combustível a Havana.

A situação obrigou o governo de Díaz-Canel a adotar medidas drásticas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel e o racionamento da gasolina, além da redução de alguns serviços hospitalares.

Além da crise energética e da tensão com os Estados Unidos, os cubanos passaram por um susto na terça-feira, quando um terremoto de magnitude 5,8 sacudiu a costa nas primeiras horas do dia, embora não tenha deixado vítimas nem danos.

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