Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Cinco acusados podem ir a júri pela morte de policial em Niterói

Dois policiais militares denunciados pela morte de Carlos José Queiroz Vianna também foram expulsos da corporação; investigação ainda busca esclarecer a motivação e identificar eventual mandante.

Domingo, 20 de Setembro de 2026 às 15:01, por: CdB

Dois policiais militares denunciados pela morte de Carlos José Queiroz Vianna também foram expulsos da corporação; investigação ainda busca esclarecer a motivação e identificar eventual mandante.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Cinco acusados pela execução do policial civil Carlos José Queiroz Vianna podem ser levados a júri popular. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu, nas alegações finais de dois processos, que os réus sejam submetidos ao julgamento por jurados pela morte ocorrida em outubro de 2025, em Piratininga, Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

O policial Carlos José Queiroz Viana

Entre os acusados estão os policiais militares Fábio de Oliveira Ramos, do 3º BPM (Méier), e Felipe Ramos Noronha, do 15º BPM (Duque de Caxias). Os dois foram expulsos da Polícia Militar em 1º de agosto, após decisão do Conselho Disciplinar da corporação.

Além dos dois PMs, também respondem pelo crime Mayck Júnior Pfister Pedro, Dênis da Silva Costa e José Gomes da Rocha Neto, conhecido como Kiko. Todos estão presos e negam participação na execução.

Os policiais militares Fábio e Felipe foram presos no dia do crime, nas proximidades de um Jeep Compass que havia sido incendiado em Duque de Caxias. Segundo as investigações, o veículo teria sido utilizado na fuga após a execução.

No carro e com os acusados, policiais encontraram armas, placas clonadas e outros objetos que, segundo o MPRJ, teriam sido utilizados no planejamento e na execução do crime.

Ao determinar a expulsão dos dois agentes, a Polícia Militar classificou as condutas como “transgressão disciplinar de natureza grave”. A decisão apontou, entre outras situações, o envolvimento com veículos furtados, roubados ou clonados e porte ilegal de arma de fogo.

A defesa de Felipe Ramos Noronha entrou com pedido de habeas corpus para anular o processo, revogar a prisão preventiva e impedir uma eventual transferência para um presídio comum.

No início de setembro, a 1ª Câmara Criminal concedeu uma decisão parcial relacionada ao caso e determinou que o policial permanecesse no Batalhão Especial Prisional (BEP) enquanto o pedido de habeas corpus ainda não fosse julgado definitivamente. A defesa de Fábio pediu que os efeitos da decisão também fossem aplicados a ele.

O que aponta a investigação

De acordo com o MPRJ, os cinco acusados tiveram diferentes papéis na ação que terminou com a morte de Carlos José Queiroz Vianna.

Fábio de Oliveira Ramos é acusado de acompanhar a rotina da vítima, dirigir o veículo usado na fuga e transportar armas e placas clonadas. Segundo o Ministério Público, foram encontradas no celular dele fotografias de ruas e vias próximas à residência do policial civil.

Felipe Ramos Noronha é apontado como participante do monitoramento da vítima e da execução. Segundo a acusação, ele mantinha contato frequente com Fábio nos dias que antecederam o crime.

Mayck Júnior Pfister Pedro é acusado de acompanhar e filmar os passos do policial civil. Segundo as investigações, ele registrou imagens da vítima na 29ª DP (Madureira), onde ela trabalhava, e também nas proximidades de sua residência, em Piratininga. Uma das gravações teria sido feita na véspera do assassinato.

Dênis da Silva Costa foi identificado posteriormente. Segundo a investigação, impressões digitais encontradas em um veículo utilizado na ação ajudaram na identificação. Ele também teria sido filmado de motocicleta acompanhando o deslocamento do grupo antes e depois do crime.

O MPRJ afirma ainda que foram identificados registros de comunicação entre Dênis e Fábio em horário próximo ao assassinato.

Já José Gomes da Rocha Neto, o Kiko, é apontado pela Polícia e pelo Ministério Público como coordenador da ação. Segundo a acusação, ele manteve contato com Fábio durante o período em que o Jeep Compass utilizado na fuga foi incendiado.

Kiko foi preso em janeiro de 2026. Ele foi o único dos cinco acusados a prestar depoimento em juízo. Admitiu conhecer Fábio, mas negou envolvimento na morte do policial.

Mandante

Apesar das denúncias contra os cinco acusados, a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí ainda investiga a motivação do assassinato e a possível existência de um mandante.

Os investigadores analisam informações obtidas a partir da quebra de sigilo de celulares apreendidos durante a apuração do caso.

Segundo o MPRJ, duas armas encontradas com o grupo também foram relacionadas a outros homicídios investigados pela polícia.

Uma delas teria sido utilizada na morte de Cristiano de Souza, em 2023. O caso é investigado em meio a suspeitas relacionadas à atuação de grupos envolvidos com o comércio ilegal de cigarros.

Outra arma foi relacionada à morte de Antônio Gaspazianne Mesquita Chaves, em 2024, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. A polícia investigou a hipótese de que o crime estivesse relacionado a uma disputa envolvendo dinheiro de máquinas caça-níqueis.

Nos dois casos, a polícia apontou suspeitas sobre a participação de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Essas investigações, porém, são distintas do processo que apura a morte do policial civil em Niterói.

O que dizem as defesas

As defesas dos cinco acusados pediram a absolvição ou a retirada dos réus da decisão que poderá levá-los a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Os advogados contestam a interpretação dada pelo Ministério Público às provas reunidas durante a investigação. Segundo as defesas, as acusações seriam genéricas e não demonstrariam de forma concreta a participação individual de cada acusado na execução.

A defesa de Mayck Júnior questiona principalmente as provas extraídas do celular dele e afirma que houve problemas relacionados à preservação dos dados. Os advogados também classificam algumas conclusões da investigação como interpretações subjetivas.

No caso de Kiko, a defesa sustenta que não existem provas concretas de participação no assassinato. Os advogados afirmam que os contatos mantidos com Fábio decorreriam apenas da amizade entre os dois.

Kiko também declarou que a chamada de vídeo feita para Fábio no dia do crime teria ocorrido para convidá-lo a fazer exercícios físicos.

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