Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 2026

China celebra início do Ano do Cavalo de Fogo

O Ano do Cavalo de Fogo Vermelho marca o início do Chunyun, a maior movimentação humana do mundo, com 9,5 bilhões de viagens projetadas. Descubra o significado das celebrações e tradições.

Terça, 17 de Fevereiro de 2026 às 15:32, por: CdB

Período conhecido como Chunyun deve bater recorde como a maior movimentação humana anual do mundo.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Pequim

Neste dia 17 de fevereiro, a China virou o ano. Começou o Ano do Cavalo de Fogo Vermelho, no auge do Chunyun de 2026. O período oficial de deslocamentos no país começa 15 dias antes do Ano Novo Lunar e termina 25 dias depois, totalizando 40 dias de intensa movimentação no país. Neste ano, o Chunyun deve registrar novo recorde como a maior movimentação humana anual do planeta, com 9,5 bilhões de viagens projetadas por ferrovias, rodovias, aviação e transporte marítimo entre 2 de fevereiro e 13 de março.

China celebra início do Ano do Cavalo de Fogo | Cavalo de Fogo Vermelho na área comercial Longfusi em Pequim
Cavalo de Fogo Vermelho na área comercial Longfusi em Pequim

Dentro desse período, o Festival das Lanternas, celebrado em 3 de março, marca o encerramento tradicional das festividades do Ano Novo Chinês e provoca um segundo pico de deslocamentos, quando milhões de trabalhadores retornam às cidades após as celebrações.

O significado do Ano Novo Chinês

Para entender a relevância dessa data para os chineses, o Brasil de Fato conversou com o diplomata Xu Yicong, de 87 anos. Ele foi intérprete de espanhol do primeiro-ministro Zhou Enlai e serviu como embaixador da China em Cuba, Argentina, Panamá e Equador.

– Historicamente, todas as dinastias chinesas trataram este dia com grande reverência, pois marca o início do novo ano, segundo o calendário lunissolar tradicional. As celebrações carregam múltiplas camadas de significado: acima de tudo está o reencontro familiar, pois as pessoas fazem esforços extraordinários para voltar para casa de perto ou de longe para se reunir com seus entes queridos – diz Xu.

O diplomata também destaca que o Festival da Primavera não se limita à China. Durante sua carreira, celebrou o Ano Novo Chinês em diversos países latino-americanos e testemunhou o crescimento do interesse pela cultura chinesa na região.

Em Buenos Aires, ele conta que chegou a presenciar a participação de quase 100 mil pessoas em uma feira do Ano Novo Chinês. “O Festival da Primavera tornou-se um veículo poderoso para a disseminação global da civilização chinesa. Não são apenas os envelopes vermelhos ou os fogos de artifício. É uma ponte viva de amizade e compreensão mútua”, afirma.

No Brasil, o Festival da Primavera também é celebrado em algumas cidades. Em Recife, a vereadora Cida Pedrosa aprovou projeto de lei que inclui o Ano Novo Chinês no calendário oficial da capital pernambucana. Em Foz do Iguaçu, a celebração foi formalizada pela Lei Ordinária nº 5.212/2023. Em São Paulo (SP), não há lei, mas a data é celebrada há mais de duas décadas, no bairro da Liberdade, na capital paulista, com danças do dragão, música e gastronomia chinesa. A prefeitura também é co-organizadora.

Morador de Pequim, Wang Jianmin, que nasceu pouco antes da fundação da República Popular da China em 1949, reforça que para os chineses esta é a verdadeira virada do ano. “Embora a China reconheça oficialmente o calendário solar hoje, a celebração de janeiro é relativamente discreta. O verdadeiro peso emocional e cultural está no Ano Novo Lunar”, diz.

Apesar de ocorrer ainda no inverno, a data marca o fim dos dias mais frios e o início da primavera no calendário lunar, por isso o nome Festival da Primavera.

Costumes

As formas de celebrar variam enormemente em um país de 1,4 bilhão de pessoas e 56 etnias oficialmente reconhecidas. O diplomata Xu Yicong destaca que, embora todos compartilhem a mesma alegria e senso de renovação, os rituais diferem amplamente entre regiões, comunidades Han, Hui, mongóis, tibetanos, coreanos e muitos outros povos.

O diretor do Centro de Intercâmbio Cultural Pequim-América Latina, Wang Lichao, explica que o coração da celebração está nas reuniões de família e nos pequenos rituais que conectam gerações.

– As visitas aos idosos são consideradas essenciais. E então há os envelopes vermelhos, os hongbao, que damos às crianças como gesto de bênção e boa sorte para o ano que vem. Também é costume em muitas famílias dar envelopes vermelhos a parentes idosos como sinal de respeito e cuidado. Esses rituais, bolinhos, moedas, pacotes vermelhos, refeições compartilhadas e saudações sinceras, não são apenas costumes, são fios que tecem gerações juntas, carregando amor, continuidade e alegria – afirma.

Os “envelopes vermelhos” são pequenos pacotes vermelhos decorados que contêm dinheiro. Eles são oferecidos tradicionalmente durante o Ano Novo Chinês e outras ocasiões como casamentos e nascimentos. A cor vermelha simboliza sorte, prosperidade e proteção contra energias negativas, enquanto o dinheiro representa bênçãos e boa fortuna para quem recebe. Hoje, além dos envelopes físicos, os aplicativos como WeChat e Alipay popularizaram versões digitais, que funcionam como “mandar um pix” de presente.

O Brasil de Fato também visitou Wulao Xinjie, localizada no hutong (bairro típico de Pequim) de Beicaochang, uma rua que possui diversos serviços de cuidados para idosos, como posto de saúde, centro cultural e um restaurante popular com refeições a preços acessíveis e com menos sal e óleo

Poucos dias antes, o presidente da China, Xi Jinping, havia visitado a rua para saudar os moradores pelo ano novo.

O administrador do restaurante popular, Yang, falou com a reportagem sobre suas expectativas para o novo ano. “O cavalo simboliza energia, perseverança e momento de avanço. Nossa visão é expandir este modelo de cantina por Pequim e depois por todo o país, para que nenhum idoso coma sozinho e toda comunidade prospere com cuidado em seu centro”, disse Yang.

A maior movimentação

No Chunyun, centenas de milhões de pessoas se deslocam por todo o país. A coordenação logística envolve mais de 20 departamentos governamentais que trabalham em conjunto meses antes do início do período.

Para atender ao aumento da demanda, este ano as ferrovias adicionaram quase mil trens de alta velocidade operando durante a noite nos principais corredores do país. Nos dias de pico, mais de 14 mil trens circulam pela China, representando um aumento de 5,3% na capacidade de assentos em comparação com o ano passado. Cerca de 80% das viagens acontecem por estrada, enquanto as ferrovias devem transportar 540 milhões de passageiros e a aviação civil outros 95 milhões durante todo o período.

A plataforma oficial de venda de passagens ferroviárias, a 12306, já havia comercializado mais de 212 milhões de bilhetes nas primeiras semanas do período. Para os dias de maior movimento, as ferrovias programaram trens noturnos de alta velocidade adicionais nas principais linhas do país, como Pequim-Harbin, Pequim-Xangai e Pequim-Guangzhou, com passagens vendidas em lotes e períodos de reserva antecipada de até dez dias antes da partida.

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