Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2026

Casal é preso por aliciar menores para festas com abusos

Homem apontado como chefe de rede de exploração sexual seria funcionário de escola pública; investigação revela suspeitas de participação de mães no esquema e abusos contra bebês.

Segunda, 12 de Outubro de 2026 às 11:43, por: CdB

Homem apontado como chefe de rede de exploração sexual seria funcionário de escola pública; investigação revela suspeitas de participação de mães no esquema e abusos contra bebês.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Policiais civis da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) prenderam, no último sábado, um casal suspeito de integrar uma organização criminosa que aliciava crianças e adolescentes por aplicativos de mensagens para exploração sexual em festas realizadas no Rio de Janeiro. As investigações apontam que a rede negociava vítimas em troca de dinheiro e benefícios materiais, além de promover encontros nos quais ocorriam abusos sexuais.

Uma viatura da Dcav, delegacia responsável pela prisão do casal

O homem, apontado como um dos principais responsáveis pelo esquema, seria funcionário de uma escola pública localizada na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste da capital. Ele foi localizado e preso na Gávea, na Zona Sul. Já a mulher, também investigada por participação na rede criminosa, foi capturada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito exercia papel central na organização, atuando no agenciamento de vítimas e na articulação dos encontros. Por meio de aplicativos de mensagens, integrantes do grupo ofereciam crianças e adolescentes de ambos os sexos para exploração sexual em troca de pagamentos e vantagens, como aparelhos celulares e financiamento de eventos.

As apurações identificaram ainda a realização de festas em que menores eram expostos a situações de violência e exploração sexual. Entre os episódios investigados estão suspeitas de abusos envolvendo bebês de apenas cinco meses de idade.

Mães no esquema

Uma das linhas mais graves da investigação envolve a suspeita de que mães participavam diretamente da exploração sexual das próprias filhas, entregando-as a integrantes da rede em troca de compensações financeiras.

De acordo com a delegada Maria Luiza Machado, responsável por detalhar as descobertas, os investigadores identificaram indícios de que crianças e adolescentes eram levados a festas frequentadas por homens mais velhos, que poderiam escolher as vítimas.

– As investigações apontam que as próprias mães realizavam a comercialização de suas filhas. Há uma nova vertente da investigação que indica que havia festas em que essas adolescentes e crianças eram expostas ao ambiente com homens bem mais velhos e eles poderiam escolher com que gostaria de se relacionar – afirmou a delegada.

A Polícia Civil busca esclarecer a participação de familiares no esquema, identificar os responsáveis pela organização dos eventos e determinar como as vítimas eram recrutadas.

Os investigadores também apuram a existência de uma estrutura de exploração sexual que envolvia diferentes participantes, desde responsáveis pelo aliciamento até pessoas que pagavam para abusar das vítimas.

Operação

As prisões fazem parte da segunda fase de uma operação conduzida pela DCAV. Inicialmente, o trabalho policial estava concentrado na investigação de um advogado, mas o avanço das diligências levou à identificação de uma rede mais ampla e estruturada de exploração sexual de crianças e adolescentes.

A partir das informações reunidas, os agentes passaram a investigar a atuação de outros suspeitos, os mecanismos utilizados para recrutar vítimas e a possível participação de familiares na entrega de menores para exploração sexual.

O casal foi encaminhado à sede da DCAV e deverá responder por crimes como estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e produção de material de abuso sexual infantil, conforme as condutas atribuídas a cada investigado.

A Polícia Civil mantém as investigações em andamento para identificar outros integrantes da organização, localizar possíveis vítimas e responsabilizar pessoas que tenham participado ou financiado os abusos.

Os agentes também trabalham para esclarecer a dimensão da rede criminosa e verificar se há outros envolvidos na organização das festas e na distribuição de conteúdos relacionados aos crimes investigados.

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