A campanha petista pede, ainda, o bloqueio do site ‘B22token’, que promete criptomoedas para influenciadores compartilharem a mensagem ‘B22’ e conteúdos como vídeos incentivando o voto em ’01’.
Por Redação – de Brasília
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ingressou, nesta sexta-feira, com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em que pede a cassação da chapa do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ou filho ’01’ como também é conhecido, por suposto uso irregular dos perfis em redes sociais do empresário Pablo Marçal para disseminação de propaganda partidária e informações falsas. A ação pede a imediata suspensão liminar do perfil de Marçal no Instagram, com 14,1 milhões de seguidores.

A campanha petista pede, ainda, o bloqueio do site ‘B22token’, que promete criptomoedas para influenciadores compartilharem a mensagem ‘B22’ e conteúdos como vídeos incentivando o voto em ’01’. O fato foi publicado pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), na véspera, e constitui abuso do poder econômico, segundo os impetrantes.
A campanha de ’01′ e a assessoria de Marçal não responderam aos questionamentos da reportagem do Correio do Brasil, por e-mails, até o fechamento dessa matéria. A campanha do candidato do PL chegou a negar, anteriormente, integrar o esquema de criptomoedas e prometeu ingressar com ação judicial para que o conteúdo fosse retirado do ar.
Conta oficial
Candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo, Marçal anunciou na semana passada seu ingresso oficial na campanha bolsonarista, em ocasião ao lado de ’01′, que aplaudiu a iniciativa do empresário.
Segundo os advogados do PT, a campanha do adversário comete irregularidade, pois não informou ao TSE que o perfil de Marçal se tornou uma conta oficial de campanha. De acordo com as regras eleitorais, perfis de campanha estão sujeitos a restrições, como vedação a recomendações algorítmicas — algo que não está ocorrendo com a conta de Marçal, que continua sendo recomendada à larga.
A petição afirma que Marçal tem cometido abuso na mídia. Nos últimos dias, o aliado do PL publicou uma montagem com áudios de uma ligação de 2016 entre Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes. A montagem induz quem ouve a concluir que Lula não gosta dos evangélicos, com edição que faz parecer que a frase do presidente “é um bando de filha da p…” refere-se, diretamente, ao grupo religioso.
‘Deep fakes’
Os advogados pedem a suspensão do perfil de Marçal no Instagram e outras plataformas de internet, sua exclusão dos sistemas de recomendação e a remoção das publicações que atacam a candidatura de Lula usando desinformação ou conteúdo injurioso.
“As estratégias adotadas e que são combatidas na ação são uma repetição daquilo que Pablo Marçal já fez na eleição 2024: utilização de ampla penetração nas redes sociais para disseminar desinformação e ‘deep fakes“, aponta o advogado Michel Bertoni Soares, na ação.
“Desde a sua entrada na campanha, há cerca de uma semana, já foram distribuídas inúmeras representações por propaganda irregular promovida por ele. Sem falar no sistema de recompensas com criptomoedas, que se assemelha ao concurso de cortes da eleição 2024. A atuação de Pablo Marçal, agora publicamente integrado à campanha, alcançou milhões de pessoas e apresenta potencial concreto de desequilibrar a disputa eleitoral”, ressalta a advogada Maíra Recchia, no processo.
Uganda
Na parte da ação que se refere ao esquema de criptomoedas, a campanha pede que o Tribunal também impeça o pagamento ou promessa de recompensa condicionada à publicação eleitoral e requer investigação sobre suposta ligação de Marçal com o esquema criminoso.
O site está sendo divulgado em um perfil do Instagram com 12,9 milhões de seguidores, o ‘hyperskidsafrica’, que arrecada recursos para construção de casas para crianças em Uganda, na África. Um vídeo das crianças africanas dançando com camisetas amarelas com os dizeres ‘B22 token’, cantando “vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro”, já teve mais de 1,2 milhão de visualizações. Segundo o site, parte das vendas da criptomoeda B22 irão financiar projetos para as crianças em Uganda.
No vídeo, as crianças incentivam as pessoas a comprar e compartilhar B22. “Por favor, confiem em (deputado) Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal”, dizem as crianças. “O propósito do novo ‘token’ é ajudar o Brasil. No segundo turno, dê uma chance, vote diferente”.