A pesquisa, agora, mostra Lula com 39% das intenções de voto, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um quadro de forte polarização e margem ainda mais estreita.
Por Redação – de Brasília
A mais recente pesquisa do Instituto DataFolha, publicada na antevéspera, acende um alerta mais grave no centro de comando da campanha petista a um último mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro turno tende a ser o mais acirrado até hoje, comparada às demais eleições vitoriosas da legenda. O estudo toma como base a série histórica de pesquisas DataFolha realizadas cerca de seis meses antes do fechamento das urnas.

A pesquisa, agora, mostra Lula com 39% das intenções de voto, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um quadro de forte polarização e margem ainda mais estreita. Na comparação com as eleições anteriores em que Lula venceu, a diferença agora é significativamente menor.
Em 2002, quando eleito presidente pela primeira vez, Lula tinha, em 9 de abril, 10 pontos percentuais de vantagem sobre José Serra, então candidato do PSDB. Em 2006, quando disputou a reeleição, aparecia 17 pontos à frente de Geraldo Alckmin em pesquisa de junho. Em 2022, já em um contexto de polarização intensa com o bolsonarismo, Lula registrava 48% das intenções de voto, em maio.
Liderança
Para o cientista político Bruno Bolognesi, professor da Universidade Federal do Paraná, o cenário polarizado define os números da pesquisa. O contexto torna a eleição ainda mais imprevisível e amplia a relevância do chamado voto útil.
— É uma eleição em que o voto útil deve imperar de novo, o que é comum em países polarizados como Brasil e Estados Unidos — compara.
O mesmo fator, no entanto, pode ser decisivo especialmente no contexto em que o eleitor tende a votar menos por adesão programática e mais para impedir a vitória do adversário, o chamado “voto contra”. Outro dado que o acadêmico considera relevante no levantamento do DataFolha é o índice de rejeição dos principais pré-candidatos.
Enquanto Lula aparece com 48% de rejeição, Flávio Bolsonaro apresenta 46%.
Comparação
A proximidade entre esses números ajuda a explicar por que a disputa encontra-se acirrada. Ambos os índices são considerados muito altos para qualquer dos candidatos.
Dada a insignificância, até agora, das possíveis candidaturas, os nomes de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais pelo Novo; e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás pelo PSD, o nível de rejeição é menor, de 17% e 16%, respectivamente.
A comparação com 2022, ainda de acordo com o estudo, é outro ponto determinante. Naquele ano, Lula oscilava entre 33% e 40% de rejeição, enquanto Jair Bolsonaro aparecia com índices entre 51% e 55%, segundo pesquisas do DataFolha feitas entre maio e outubro.
Corrida
Ou seja, além de liderar com mais folga na intenção de voto, Lula contava com um adversário mais rejeitado — um dado que hoje não se reproduz na mesma intensidade, embora guarde certas semelhanças.
A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais em 137 cidades e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.