As tratativas entre Groenlândia, Dinamarca e Estados Unidos devem ocorrer para tentar encontrar uma solução para a crise.
Por Redação, com Reuters – de Paris
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse nesta quarta-feira que há linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas nas discussões com os Estados Unidos, mas reconheceu que é preciso fazer mais para aumentar a segurança na região, em meio a uma Rússia mais agressiva.

Nielsen e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, estiveram em Paris para se encontrar com o presidente francês Emmanuel Macron, com o objetivo de reforçar o apoio à tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de assumir o controle da ilha ártica que é território dinamarquês há séculos.
As tratativas entre Groenlândia, Dinamarca e Estados Unidos devem ocorrer para tentar encontrar uma solução para a crise, mas Nielsen disse que a Groenlândia tem algumas linhas vermelhas que não poderiam ser ultrapassadas, mesmo que ele espere chegar a algum tipo de acordo, sem entrar em detalhes.
– Estamos sob pressão, uma pressão séria. Estamos tentando nos defender do exterior. Estamos tentando lidar com nosso povo que está com medo, assustado – afirmou ele em uma conversa conjunta com Frederiksen na Universidade Sciences Po.
– Precisamos ter mais vigilância e segurança em nossa região por causa da maneira como a Rússia age agora – acrescentou o primeiro-ministro.
Entenda
A demanda dos EUA pelo controle da Groenlândia abalou as relações transatlânticas e acelerou os esforços europeus para reduzir a dependência dos Estados Unidos, mesmo quando Trump, na semana passada, retirou as ameaças tarifárias e descartou a possibilidade de tomar a Groenlândia à força.
Para Frederiksen, a crise demonstrou que a maioria dos europeus está na mesma página e conseguiu se unir para rejeitar as exigências de Trump, principalmente sua ameaça de tarifas adicionais sobre os países europeus.
Afirmando que a ordem mundial havia mudado para sempre e questionando o que poderia acontecer em Washington no futuro, ela disse que é vital que a Europa se torne mais forte, mas também pediu a unidade transatlântica.
– Se permitirmos que a Rússia vença na Ucrânia, eles continuarão – declarou ela.
– O melhor caminho para os Estados Unidos e a Europa é permanecerem unidos.