Rio de Janeiro, 06 de Abril de 2026

Artemis II entra na fase final de aproximação à Lua

A missão Artemis II entra na fase final de aproximação à Lua, a 63 mil km do satélite e 374 mil km da Terra. Descubra mais sobre essa histórica jornada.

Segunda, 06 de Abril de 2026 às 10:22, por: CdB

A nave já se encontra na região de influência lunar. Nesta etapa, a missão estará a quase 63 mil quilômetros da Lua e a 374 mil quilômetros da Terra, informou um funcionário da Nasa.

Por Redação, com CartaCapital – de Washington

Os astronautas da missão Artemis II iniciaram nesta segunda-feira a fase final de sua aproximação da Lua, quando alcançaram o ponto de inflexão no qual a gravidade lunar exerce uma atração maior sobre a nave do que a gravidade da Terra.

Artemis II entra na fase final de aproximação à Lua | Imagem divulgada pela Nasa mostra a astronauta Christina Koch observando a Terra de dentro da nave Artemis II
Imagem divulgada pela Nasa mostra a astronauta Christina Koch observando a Terra de dentro da nave Artemis II

A nave Orion utilizará a gravidade lunar para ganhar impulso em um sobrevoo que levará a tripulação a uma distância recorde, superando qualquer ponto do espaço alcançado pelo ser humano até hoje.

A missão, iniciada na quarta-feira da semana passada, entrou no que a Nasa denomina esfera de influência lunar às 1h42 desta segunda, pelo horário de Brasília, e em breve realizará o primeiro sobrevoo lunar desde 1972.

Nesta etapa, a missão estará a quase 63 mil quilômetros da Lua e a 374 mil quilômetros da Terra, informou um funcionário da Nasa.

A agência espacial norte-americana publicou no domingo uma imagem registrada pela tripulação, na qual a Lua aparece distante e a bacia Oriental visível.

“Esta missão marca a primeira vez que toda a bacia foi vista por olhos humanos”, informou a Nasa. A enorme cratera, que se assemelha a um alvo, já tinha sido fotografada anteriormente por câmeras orbitais.

A tripulação da nave Orion tem os norte-americanos Christina Koch, Reid Wiseman e Victor Glover, além do canadense Jeremy Hansen.

– Obrigado a vocês e a toda a equipe em terra por perpetuar o legado da Apollo com a Artemis. Boa viagem e um retorno seguro – desejou o astronauta do programa Apollo Charles Duke, 90.

O norte-americano é um dos últimos homens que participaram de uma missão na Lua, em 1972. Desde então, nenhum ser humano havia se aproximado do satélite natural.

Planos revisados

A Nasa destacou que a tripulação da Artemis concluiu um teste para garantir que a pilotagem manual funciona e também revisou seu plano de observação científica para identificar e fotogravar diversos acidentes geográficos da superfície lunar.

Os astronautas começaram o domingo com uma refeição que incluiu ovos mexidos e café, informou a Nasa, e acordaram com a música Pink Pony Club, sucesso pop de Chappell Roan.

– O moral a bordo é elevado – disse o comandante Reid Wiseman ao Centro de Controle da Missão em Houston, ao início do dia da tripulação.

Este pai de duas meninas estava especialmente animado, em parte porque teve a oportunidade de falar com as filhas do espaço.

– Estamos aqui em cima, tão longe, e por um momento voltei a me reunir com minha pequena família – disse, durante coletiva de imprensa ao vivo. “Foi simplesmente o maior momento de toda a minha vida”, acrescentou.

Os astronautas receberam formação em geologia para poder fotografar e descrever os traços lunares, inclusive antigos fluxos de lava e crateras de impacto.

Eles verão a Lua de um ponto de vista único em comparação com as missões Apollo das décadas de 1960 e 1970.

Os voos Apollo sobrevoaram a superfície lunar a cerca de 70 milhas, mas a tripulação da Artemis II estará a pouco mais de 4 mil milhas em sua maior aproximação, o que lhes permitirá ver a superfície completa e circular da Lua, inclusive as regiões próximas dos dois polos.

Nunca visto

Os astronautas da Artemis II já experimentaram perspectivas totalmente novas. “Ontem à noite, tivemos nossa primeira visão do lado oculto da Lua, e foi absolutamente espetacular”, disse Koch, durante uma entrevista ao vivo do espaço.

A missão faz parte de um plano de longo prazo para retornar de forma sustentável à Lua, com o objetivo de estabelecer uma base permanente que sirva de plataforma para futuras explorações.

Durante o sobrevoo do satélite, “vamos aprender muito sobre a nave espacial”, ressaltou hoje à rede de TV CNN o diretor da Nasa, Jared Isaacman. “É o que mais nos interessa em termos de dados”, acrescentou, ao lembrar que a cápsula Orion ainda não havia transportado nenhuma pessoa.

A Nasa pretende fazer um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump.

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