Perguntado sobre o que considera ser “o pior”, Amorim apontou o risco de ampliação do conflito para além das fronteiras imediatas.
Por Redação – de Brasília
Assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, o embaixador Celso Amorim afirmou nesta segunda-feira que o Brasil precisa estar atento ao agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel no Oriente Médio. Segundo o diplomata, o cenário é de forte instabilidade e exige cautela por parte da diplomacia brasileira. Segundo Amorim, a situação tende a evoluir de forma incalculável.

— Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior — afirmou o embaixador a um programa da TV por assinatura.
Perguntado sobre o que considera ser “o pior”, Amorim apontou o risco de ampliação do conflito para além das fronteiras imediatas.
— O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento. O Irã historicamente fornece armamento para grupos xiitas que estão em outros países, além de grupos radicais — observou.
Escalada
O assessor adiantou que conversaria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo das próximas horas, uma vez que ambos ainda não haviam tratado do tema desde o início da nova escalada militar. Após as agressões dos EUA e de Israel, em linha com a análise de Amorim, o conflito se intensificou.
Em retaliação ao bombardeio inimigo, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases norte-americanas instaladas em diferentes países do Oriente Médio. Os ataques também atingiram a cúpula do poder iraniano e resultaram na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, conforme confirmação do próprio governo iraniano horas após os ataques.
Diante da posição incisiva do governo brasileiro contra as agressões a Teerã, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, recebeu jornalistas na embaixada iraniana nesta manhã para comentar o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e detalhar a posição de Teerã diante da escalada do conflito no Oriente Médio. Durante a coletiva, ele também agradeceu publicamente a manifestação do governo brasileiro que condenou as ações militares.
Covardia
Ao abrir o pronunciamento, o diplomata classificou como “criminoso” o ataque dos EUA contra uma escola iraniana ocorrido no primeiro dia da ofensiva. De acordo com ele, 170 alunas morreram após a ação.
Ao mencionar a posição do Brasil, Nekounam destacou o teor das declarações oficiais emitidas por Brasília.
— Nós recebemos as manifestações do governo brasileiro sobre os ataques dos EUA e do regime sionista de Israel e agradecemos a condenação dos atos de agressão — afirmou.
Em seguida, Nekounam ressaltou a posição corajosa do Itamaraty.
— Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos — concluiu.