Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2025

África passa por processo evolutivo no conjunto das nações, dizem especialistas

Diante dos fatos ocorridos ao longo dos últimos meses, segundo especialistas, as condições vividas por diversas nações africanas traduziram-se em um mau ano para o continente.

Sábado, 30 de Dezembro de 2023 às 15:15, por: CdB

Diante dos fatos ocorridos ao longo dos últimos meses, segundo especialistas, as condições vividas por diversas nações africanas traduziram-se em um mau ano para o continente.


Por Redação, com Sputnik Brasil - do Rio de Janeiro

O continente africano tem passando por transformações significativas ao longo dos últimos anos, refletindo uma dinâmica global de mudanças rápidas nas relações internacionais. A agência russa de notícias Sputnik ouviu especialistas sobre os fatos que marcaram o continente, ao longo de 2023.

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Entre os países mais afetados pela miséria estão Etiópia, Quênia, Somália, Sudão e Uganda


Luccas Gissoni, doutorando em economia política mundial da Universidade Federal do ABC, destacou o impacto do rompimento do Níger com a França como um dos pontos mais marcantes deste ano. Gissoni, ao abordar a questão, contextualizou o rompimento à luz do neocolonialismo, uma dinâmica que persiste mesmo após a descolonização formal.

 

Colonialismo


Gissoni explicou que o neocolonialismo representa um recuo do colonialismo para uma relação que não é de dominação formal, mas que mantém a exploração econômica das antigas potências colonizadoras sobre as nações africanas.

—Esse rompimento é, sim, um marco. A gente fala muito utilizando a categoria do neocolonialismo, que é apoiada pelo Kwame Nkrumah, que foi o primeiro presidente de Gana, exatamente para descrever essa situação em que após a descolonização, a independência e a libertação nacional dos países africanos, aquela relação de tipo colonial, uma relação similar à que tinha na época de colonização, ela é realizada pelas antigas potências colonizadoras através de amarras um pouco mais soltas, sem relação colonial propriamente dita, embora consigam manter o seu objetivo de explorar os povos africanos e as outras nações colonizadas — destacou Gissoni.

 

Narrativa


Ainda à Sputnik Brasil, a professora Patrícia Teixeira, especialista em História da África, expôs uma perspectiva crítica sobre o panorama atual do continente africano. Ela expressou preocupações significativas sobre as condições vividas por diversas nações africanas, sublinhando que não foi um bom ano para o continente.

Um dos principais pontos abordados pela professora foi a persistência de conflitos militares e tragédias humanitárias, com destaque para a situação em Moçambique, especialmente na região norte do país, onde o conflito em Cabo Delgado continua. Teixeira desafiou a narrativa interna que rotula a crise como um mero conflito religioso ou regional, revelando que a verdadeira motivação é a exploração de recursos naturais por multinacionais.

 

Tragédias


— O que perpassa esse conflito é a questão das multinacionais que estão explorando o ouro, o rubi e o gás natural. Então, infelizmente, até um comentário que se faz na área de estudos africanos é que quando se descobre riquezas na África, coitado do povo que mora sob, em cima ou ao lado dessas riquezas — detalhou.

A pesquisadora ressaltou a natureza predatória das relações com a África, intensificada no contexto pós-covid-19, e mencionou a visão do Papa Francisco de uma "terceira guerra mundial aos pedaços" ao observar os conflitos que assolam o continente. Além disso, Teixeira destacou a continuidade dos conflitos no Congo e na República Centro-Africana, lamentando o total silenciamento ou a superficialidade na cobertura dessas tragédias humanitárias.

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