No ano passado, relembra o jornal, Jair Bolsonaro foi preso e condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar o golpe de Estado fracassado após perder as eleições de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Da Redação – de Londres
O aviso de Flávio Bolsonaro (PL), ou filho ’01’ como também é conhecido, de usar o poder da bancada de extrema direita no Congresso para alterar a Constituição e “redemocratizar” o país, levantou a suspeita de uma guinada em direção a um regime autoritário no Brasil, aponta o jornal britânico ‘The Guardian’, um dos mais conceituados do mundo. O diário lembra que o país foi redemocratizado nos anos 1980, após uma “brutal ditadura de 21 anos que o pai de ’01′, o ex-presidente Jair Bolsonaro, há muito elogia”.

No ano passado, relembra o jornal, Jair Bolsonaro foi preso e condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar o golpe de Estado fracassado após perder as eleições de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio Bolsonaro, no entanto, superou Lula no primeiro turno das eleições presidenciais no domingo e chega ao segundo turno, marcado para 25 de outubro, fortalecido.
Na véspera, ’01′ prometeu aproveitar a expansão da extrema direita no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar este país”. Em comício realizado em Goiânia, o representante da ultradireita disse que “a única coisa entre o Brasil e a barbárie se chama Flávio Bolsonaro presidente”.
Linguagem
A declaração indignou historiadores e opositores do bolsonarismo, que acusam Flávio Bolsonaro de cooptar a linguagem da democracia para ocultar uma mudança ultraliberal. A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) reagiu à declaração em publicação na rede social X: “Isso é o anúncio de um golpe”.
No mesmo sentido, o deputado recém-eleito Marcelo Freixo (PT-RJ) lembrou que “o Brasil foi redemocratizado em 1988”.
— Quem tentou desfazer isso foi o pai dele, que foi condenado por tentativa de golpe. O que eles querem, mais uma vez, é um golpe — acrescentou.
Preocupação
O candidato não detalhou o significado prático de “redemocratizar” o Brasil — país que tem, segundo o ‘The Guardian’, uma “democracia multipartidária vibrante”, apesar de polarizada, e classificada em 28º lugar no índice de democracia liberal do instituto sueco V-Dem, à frente do Reino Unido (30º) e dos Estados Unidos (51º). Jair Bolsonaro, que já elogiou lideranças autoritárias como o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, “nutre um desejo antigo pelo retorno do regime militar”, destacou o periódico.
Após a fala, aliados de ’01′ passaram a demonstrar preocupação com o tom adotado pelo candidato, no início do segundo turno da eleição presidencial. A avaliação interna é de que, embora o senador tenha terminado a primeira etapa da disputa à frente do presidente Lula, a vantagem ainda não assegura a vitória neofascista.