Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

ZR-V expõe distância entre produto e mercado


Terça, 06 de Outubro de 2026 às 11:42, por: Sérgio Dias

SUV da Honda registra baixo volume de vendas, mas avaliação entre cidade e estrada mostra atributos que os emplacamentos não conseguem medir

Por Sérgio Dias – de São Paulo

O mercado brasileiro de SUVs ampliou o número de modelos, tecnologias e faixas de preço nos últimos anos, mas a oferta maior também tornou mais difícil encontrar espaço entre os consumidores. Nem sempre um veículo que reúne características para disputar esse mercado consegue transformar sua proposta em volume de emplacamentos. O Honda ZR-V 2026 é um exemplo dessa distância entre aquilo que um produto entrega e a participação que alcança nas vendas.

ZR-V expõe distância entre produto e mercado

O modelo permanece no portfólio brasileiro da Honda, posicionado em uma faixa diferente daquela ocupada pelo HR-V e pelo WR-V. Utiliza motor 2.0 a gasolina, transmissão CVT, direção com assistência elétrica e suspensão independente. A configuração também reúne Honda SENSING, oito airbags, central multimídia de nove polegadas e porta-malas de 389 litros, ampliável para 1.306 litros com o rebatimento dos bancos traseiros.

Apesar desse conjunto, o ZR-V registra volumes reduzidos de emplacamentos em 2026. A situação chama atenção em um mercado no qual os SUVs concentram diferentes propostas e disputam consumidores que encontram alternativas com motores aspirados, turbo, híbridos e elétricos. Foi nesse contexto que voltei ao ZR-V para entender o que os números comerciais não conseguem mostrar quando o automóvel deixa a concessionária e passa a ser utilizado.

 

Mercado e produto

Minha avaliação começou nas atividades cotidianas em São Paulo. Utilizei o ZR-V em congestionamentos, avenidas, garagens e pequenos deslocamentos antes de deixar a capital. Depois segui pelas rodovias, passei por Bragança Paulista e cheguei a Extrema, no Sul de Minas Gerais.

A central multimídia de nove polegadas oferece Apple CarPlay e Android Auto, enquanto o painel TFT tem sete polegadas

A combinação entre cidade e estrada permitiu observar uma característica da proposta da Honda: aproximar a posição de condução de um SUV de respostas associadas a um sedã. O motorista permanece mais alto, mas banco, volante, direção e comportamento da carroceria reduzem a percepção de estar conduzindo um veículo de dimensões maiores.

No ambiente urbano, a direção com assistência elétrica progressiva diminui o esforço nas manobras. Sensores dianteiros e traseiros, câmera de ré com três visualizações e Honda LaneWatch também participam principalmente em estacionamentos e espaços menores.

 

Aspirado e CVT

O conjunto formado pelo motor 2.0 a gasolina e pela transmissão CVT segue um caminho diferente daquele adotado por parte dos concorrentes que utilizam motores turbo ou algum nível de eletrificação. A entrega ocorre progressivamente e o câmbio administra a relação de acordo com a solicitação do acelerador.

O porta-malas oferece 389 litros e pode chegar a 1.306 litros com os bancos traseiros rebatidos

Na cidade, preferi deixar a transmissão trabalhar automaticamente. As aletas no volante permitem simular sete marchas e ganhar participação na condução quando necessário. Na estrada, elas podem ser utilizadas para antecipar a resposta em situações como retomadas e ultrapassagens.

Quando deixei São Paulo em direção a Bragança Paulista, passei a observar melhor o comportamento dinâmico. A posição de condução continua elevada, mas direção e controle dos movimentos da carroceria permitem administrar curvas e mudanças de faixa sem exigir uma adaptação significativa em relação à condução urbana.

 

Tecnologia na rotina

O caminho até Extrema também aumentou o tempo de utilização do Honda SENSING. O pacote reúne controle de cruzeiro adaptativo com acompanhamento em baixa velocidade, sistema de permanência em faixa, mitigação de evasão de pista, frenagem para mitigação de colisão e ajuste automático dos faróis.

Na rodovia, ACC e LKAS participaram com maior frequência. No trânsito urbano, o controle de cruzeiro adaptativo com Low Speed Follow consegue acompanhar o veículo à frente em velocidades reduzidas, enquanto o Brake Hold mantém o ZR-V parado sem exigir pressão contínua sobre o pedal do freio.

A cabine segue a mesma lógica de utilização. A central multimídia de nove polegadas oferece Apple CarPlay e Android Auto, enquanto o painel TFT tem sete polegadas. Carregamento de celular por indução de 15 W, ar-condicionado digital de duas zonas, ajuste elétrico do banco do motorista, teto solar e myHonda Connect integram a configuração.

 

Escolha além das vendas

O porta-malas oferece 389 litros e pode chegar a 1.306 litros com os bancos traseiros rebatidos. A divisão dos encostos permite alterar a configuração de acordo com passageiros e bagagens, uma característica que ganha importância para quem alterna a utilização cotidiana com viagens.

Depois de São Paulo, Bragança Paulista e Extrema, minha percepção ficou menos relacionada à quantidade de ZR-V que encontro nas ruas e mais ao que o modelo efetivamente oferece ao motorista. Seu conjunto não utiliza potência ou aceleração como argumento central. Motor aspirado, CVT, posição elevada e comportamento dinâmico formam uma proposta própria em um mercado que caminha cada vez mais para turboalimentação e eletrificação.

Ao concluir a avaliação, três pontos ficaram em evidência: o comportamento entre cidade e estrada, principalmente pela relação entre posição de condução de SUV e respostas associadas a um sedã; a atuação do Honda SENSING nos dois ambientes; e a organização da cabine para o uso cotidiano. Como ponto a avançar, considero justamente a presença comercial do ZR-V. Os poucos emplacamentos indicam que a Honda ainda enfrenta o desafio de transformar os atributos do modelo em maior participação no mercado. Minha experiência mostrou que os números ajudam a entender a posição de um automóvel, mas não substituem aquilo que se descobre quando ele é colocado em uso.

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