Rocinha vira fenômeno com vídeos de drone nas lajes por imagens panorâmicas da comunidade na Zona Sul do Rio.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
As lajes da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, se transformaram em um dos pontos turísticos mais procurados do verão. Turistas brasileiros e estrangeiros chegam a esperar até duas horas em filas para gravar vídeos com drone em cenários que oferecem vista panorâmica de 360° da cidade.

O fenômeno ganhou força nas redes sociais e chamou atenção até da imprensa internacional. O jornal argentino La Nación destacou as longas filas de visitantes que aguardam para sentar em cadeiras posicionadas estrategicamente nas beiradas das lajes enquanto drones captam imagens aéreas.
Os registros, que viralizam principalmente no Instagram e no TikTok, custam entre R$ 150 e R$ 250. Ainda assim, a alta demanda mantém o fluxo intenso de visitantes em busca do chamado “vídeo da portinha”, hoje o mais desejado pelos turistas.
Turismo
O guia turístico e piloto de drone Beto Soares atua na Rocinha desde 2018, mas viu o negócio crescer exponencialmente a partir do fim do ano passado. Segundo ele, um vídeo publicado em 2023 começou a atrair curiosos, mas foi durante o Réveillon que a procura disparou.
– Na virada do ano ficou lotado. Hoje, 90% das pessoas querem fazer o vídeo da portinha – conta. As gravações acontecem em pontos como a famosa Porta do Céu e também em mirantes como Portal Jonas Brasil, Vista Show e Bela Vista.
Entre os estrangeiros, portugueses e israelenses lideram a procura nesta época do ano. Beto afirma receber mensagens de turistas de várias partes do mundo interessados na experiência, que mistura paisagem, cultura e vivência comunitária.
Estrangeiros
A influenciadora Lindsay, da Nova Zelândia, é um dos exemplos do alcance global do fenômeno. Ela aguardou mais de uma hora na fila e pagou cerca de R$ 200 pelo vídeo. Mesmo assim, afirma que repetiria a experiência.
– Viajei sozinha e estava nervosa antes de vir ao Brasil. Mas fiquei impressionada com a hospitalidade e me apaixonei pela energia do Rio – relatou.
Segundo o guia, muitos turistas classificam o passeio como o melhor da viagem e, em alguns casos, chegam a priorizar a estadia na comunidade em vez de visitar cartões-postais tradicionais.
Diferentemente de atrações clássicas como o Cristo Redentor, as lajes oferecem uma vista ampla que inclui a Pedra da Gávea, o Morro Dois Irmãos, o bairro de São Conrado e, em alguns ângulos, a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Com o aumento do fluxo de visitantes, moradores passaram a investir em bistrôs, bares, ateliês e rodas de samba nos terraços, ampliando as oportunidades de renda na comunidade.
O trajeto até os mirantes geralmente inclui subida de mototáxi pelas vielas. “O mototáxi virou atração. Tem turista que diz que, se não tiver essa parte, nem fecha o passeio”, afirma Beto.
Os passeios guiados têm duração média de 2h30 e incluem caminhadas por becos, visitas a projetos sociais e paradas estratégicas para fotos e vídeos. Os valores partem de R$ 200 por pessoa, sem contar possíveis taxas adicionais cobradas por algumas lajes.
Entre os locais mais disputados estão a Porta do Céu, conhecida pela venda de arte local e pelos serviços de drone; o Mirante Rocinha, com vista para o Cristo e o Pão de Açúcar; e o Laje Vista Show, localizado no topo da comunidade.
Apesar de reconhecer que o local não deve ser romantizado, o guia afirma que o ambiente é seguro para turistas. “Alguns chegam com receio, mas quando entram na Rocinha, não querem mais ir embora”, diz. O movimento reforça a consolidação das lajes como novo polo turístico do Rio em 2026.