Rio de Janeiro, 29 de Maio de 2026

Turista causa revolta ao oferecer banana a capoeirista na Rocinha

Um ato de racismo chocou a comunidade da Rocinha quando uma turista ofereceu uma banana a um capoeirista durante uma apresentação. A Polícia Civil investiga o caso.

Sexta, 29 de Maio de 2026 às 13:48, por: CdB

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a mulher tentando colocar a fruta dentro da sacola usada para arrecadações.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Um capoeirista denunciou ter sido vítima de racismo na quinta-feira, durante uma apresentação na Laje Cultural, sede do grupo Acorda Capoeira, na Rocinha, Zona Sul do Rio. Segundo relatos, uma turista colombiana teria oferecido uma banana ao jovem no fim da apresentação, momento em que os atletas costumam pedir contribuições para a manutenção do projeto social. A Polícia Civil investiga o caso.

Turista causa revolta ao oferecer banana a capoeirista na Rocinha | Laje Cultural, sede do grupo Acorda Capoeira
Laje Cultural, sede do grupo Acorda Capoeira

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a mulher tentando colocar a fruta dentro da sacola usada para arrecadações. O ato foi apontado como racista por remeter à associação ofensiva e histórica entre pessoas negras e macacos. Em seguida, outra mulher que estava ao lado dela aparece rindo da situação.

A visita fazia parte de um roteiro promovido pela empresa Na Favela Turismo, responsável por organizar passeios guiados pela comunidade. Os turistas podem escolher trajetos a pé, de moto ou por trilhas, acompanhados por guias durante todo o percurso. Nas redes sociais, a empresa divulgou uma nota repudiando o episódio.

– Sabemos que nenhuma palavra será capaz de amenizar a dor e a violência sofridas pela incrível equipe do Acorda Capoeira, bem como pelas demais pessoas que presenciaram esse ato lamentável. Nossa total solidariedade está com vocês – escreveu.

Um dos integrantes do grupo também se pronunciou e cobrou responsabilização pelo caso.

– É muito triste ter que vir aqui e falar que essas situações ainda acontecem. E não está acontecendo longe da gente, não é em outro país. Tá acontecendo no nosso espaço e, às vezes, é nosso espaço de trabalho. A justiça vai ser feita, não podemos deixar essas coisas passarem impunes – disse João Grilo, porta-voz do Acorda Capoeira.

Investigação

O caso é investigado pela 11ª DP (Rocinha). “Agentes analisam imagens e realizam outras diligências para apurar os fatos”, informou a Polícia Civil.

Nota do Na Favela Turismo:

“O Na Favela Turismo vem a público manifestar seu mais profundo repúdio ao episódio de racismo ocorrido recentemente em nossa rota turística, especificamente no ponto da “Acorda Capoeira”, localizada na Laje Cultural, na Rocinha.

Após recebermos relatos e imagens sobre o ocorrido, reafirmamos que não nos omitiremos, não toleramos e repudiamos qualquer tipo de discriminação. O racismo é uma violência injustificável que atenta contra a dignidade humana e contra tudo o que acreditamos.

Sabemos que nenhuma palavra será capaz de amenizar a dor e a violência sofridas pela incrível equipe do Acorda Capoeira, bem como pelas demais pessoas que presenciaram esse ato lamentável. Nossa total solidariedade está com vocês. Exigimos que a justiça seja feita com rigor, que os responsáveis sejam legalmente punidos e que entendam, de uma vez por todas, que racismo é crime e é absolutamente inaceitável.

Como promotores e guardiões do turismo e da cultura local, reforçamos o nosso compromisso com um turismo responsável, consciente e seguro. A Rocinha e suas manifestações culturais, como a Capoeira, são espaços de resistência, acolhimento e celebração da nossa ancestralidade, e continuaremos lutando para que permaneçam assim, livres de preconceito.

O turismo que acreditamos e praticamos é o turismo de base comunitária: aquele que respeita o morador, que valoriza a diversidade e que protege o nosso território. Que o turismo seja sempre um ato de amor, uma prática de escuta e um exercício de respeito ao próximo.

O preconceito não é bem-vindo”.

 

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