Rio de Janeiro, 12 de Janeiro de 2026

Trump eleva tom e fala em anexar a Groenlândia

Donald Trump afirma que os EUA devem anexar a Groenlândia para evitar que Rússia ou China o façam. Entenda as implicações dessa declaração.

Segunda, 12 de Janeiro de 2026 às 10:47, por: CdB

Trump afirmou que Washington não almeja apenas uma concessão temporária da Groenlândia, mas a aquisição do território dinamarquês.

Por:Redação, com RFI – de Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou no domingo que o país vai anexar a Groenlândia, caso contrário “a Rússia ou a China o farão”. Segundo ele, “fechar um acordo é o mais fácil, mas, de um jeito ou de outro, vamos ficar com a Groenlândia”, disse a bordo do Air Force One.

Trump eleva tom e fala em anexar a Groenlândia | O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Trump afirmou que Washington não almeja apenas uma concessão temporária da Groenlândia, mas a aquisição do território dinamarquês. “Precisamos de um título de propriedade”, afirmou. “A Groenlândia deveria fechar o acordo, porque não quer ver a Rússia ou a China assumirem o controle”, acrescentou Trump, que ironizou a defesa do território autônomo.

– Basicamente, a defesa deles depende de dois trenós puxados por cães. Sabem disso? Sabem em que consiste a defesa deles? Dois trenós puxados por cães”, reiterou. “Enquanto isso, destróieres e submarinos russos e chineses estão por toda parte – afirmou Trump, acrescentando que essa situação afeta a Otan. “Mas, vocês sabem, eles precisam mais de nós do que nós deles”, insistiu.

A Groenlândia é uma região autônoma dinamarquesa que ocupa a ilha do mesmo nome e outras adjacentes, ao largo da costa nordeste da América do Norte. A Dinamarca é membro da Otan, assim como os EUA. Na semana passada, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que um ataque americano contra um dos membros da aliança significaria “o fim de tudo”, incluindo a Otan e o sistema de segurança estabelecido após a Segunda Guerra Mundial.

Uma reunião é esperada para a próxima semana entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e autoridades dinamarquesas, com a presença de representantes groenlandeses. Em entrevista à rádio Franceinfo, Gesine Weber, pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança (CSS) em Zurique (Suíça), disse que “mostrar que os europeus se interessam por essa região e por uma cooperação com os Estados Unidos pode ser uma boa abordagem” para o continente. Segundo ela, “neste momento, é importante alcançar mais unidade. Existem mecanismos de defesa: qualquer ação militar que atinja o território europeu é inaceitável”.

Discussões ‘construtivas’

Os países-membros da Otan estão tendo discussões “construtivas” sobre a Groenlândia, também afirmou no domingo o comandante das forças aliadas na Europa, o general americano Alexus Grynkewich, que ressaltou a importância “estratégica” do Ártico.

Questionado sobre a intenção do governo americano de adquirir a ilha ártica, situada na área de atuação da Otan, Grynkewich declarou que, no Conselho do Atlântico Norte, as “discussões continuam em Bruxelas e, pelo que ouvi, são diálogos construtivos”, afirmou.

– Isso é o mais importante: membros da aliança que colaboram há tantos anos conversam e trabalham juntos para resolver essas questões delicadas – acrescentou o comandante, que participava de uma conferência sobre defesa na Suécia.

Segundo Grynkewich, embora não haja “ameaça imediata” contra a Otan, o Ártico ganhou ainda mais peso estratégico. “À medida que o gelo recua e o acesso à região aumenta, vemos claramente a Rússia e a China atuando juntas”, afirmou. “O Ártico não para de ganhar importância estratégica.”

– Vimos navios chineses patrulhando com os russos, não apenas ao longo da costa norte da Rússia, mas também ao norte do Alasca, perto do Canadá e em outros lugares. Isso não é para fins pacíficos, eles não estão estudando focas e ursos polares – ironizou. Na sexta-feira, o comandante afirmou que a Otan está pronta para defender seus países-membros.

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