Códigos serão instalados nos televisores dos vagões a partir dos próximos dois meses; iniciativa foi lançada nesta sexta na Central do Brasil.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Os televisores dos trens que circulam no sistema ferroviário do Rio de Janeiro vão receber QR Codes para facilitar o acesso a canais de denúncia de casos de assédio e importunação sexual. A novidade faz parte da Rede NÓS, iniciativa criada pela concessionária TrensRJ em parceria com o Disque Denúncia, que foi lançada nesta sexta-feira, na Central do Brasil.

De acordo com a concessionária, os códigos devem começar a ser instalados nos vagões em até dois meses. Ao apontar a câmera do celular para o QR Code, os passageiros poderão acessar os canais disponíveis para relatar ocorrências.
A Rede NÓS reúne ações voltadas à prevenção e ao enfrentamento do assédio e da importunação sexual no transporte ferroviário. Além da divulgação dos canais de denúncia, a proposta inclui iniciativas de orientação, acolhimento e conscientização dos passageiros.
O lançamento ocorre durante o Agosto Lilás, onde se realiza a campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A programação será realizada das 10h às 13h, na Central do Brasil.
Durante o evento, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos também oferecerá serviços gratuitos aos passageiros. Entre as atividades estão orientação jurídica, atendimento com assistentes sociais e psicólogas, serviços de beleza e distribuição de materiais informativos.
A programação ainda contou com painéis educativos, atividades culturais e divulgação dos canais de denúncia. Estão previstas apresentações da Orquestra Chiquinha Gonzaga e do Balé do Centro de Referência da Juventude (CRJ).
Estupro coletivo
Os quatro réus adultos acusados de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio, foram ouvidos pela Justiça na quinta-feira. A audiência também contou com os depoimentos das testemunhas de defesa e marcou o encerramento dessa etapa do processo.
Respondem pela acusação Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Matheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin. Os quatro estão presos no Presídio Juíza de Direito Patrícia Acioli, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.
O processo tramita na 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e Adolescente (Veca). Os réus respondem por estupro coletivo e cárcere privado qualificado. Em julho, a Justiça já havia ouvido todas as testemunhas apresentadas pela acusação.
O adolescente apontado como participante do crime também foi submetido à Justiça. A Vara da Infância e Juventude da Capital determinou sua internação em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). Ao decidir pela medida, a juíza Vanessa Cavalieri considerou a gravidade dos fatos investigados.
Matheus Veríssimo e Vitor Hugo são investigados ainda por outro crime de violência sexual que chegou à 12ª DP (Copacabana) depois que o caso ganhou repercussão.
Fase final
Com o encerramento das audiências, o Ministério Público terá 10 dias para apresentar as alegações finais. Depois, as defesas terão o mesmo prazo para entregar suas manifestações.
Somente após essa etapa o juiz responsável pelo processo deverá analisar as provas e decidir sobre o caso. A expectativa é que a sentença seja publicada em setembro.
A defesa de Bruno Allegretti afirmou que o réu é inocente e que ele teria a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos pela primeira vez nesta sexta-feira.
Relembre
De acordo com a investigação, a adolescente foi até o apartamento de Vitor Hugo Simonin, em Copacabana, para encontrar outro adolescente com quem havia se relacionado anteriormente. Ela teria sido informada de que ele estaria acompanhado de outros dois amigos.
Segundo a denúncia do Ministério Público, a jovem mantinha uma relação sexual consentida com o adolescente quando os quatro acusados entraram no quarto.
A investigação aponta que, depois de tentar resistir, a vítima teria sido agredida e impedida de deixar o cômodo. Conforme a denúncia, ela sofreu socos, tapas, chutes e puxões de cabelo.
O Ministério Público sustenta ainda que os quatro adultos teriam atuado conjuntamente para obrigar a adolescente a manter atos sexuais contra a vontade dela, mesmo diante dos pedidos para que parassem.