Rio de Janeiro, 22 de Março de 2026

Teerã ameaça alvos estratégicos após ultimato de Trump

Conflito entre Irã e Israel se intensifica com ameaças mútuas e ataques. Entenda as repercussões da crise no Oriente Médio e suas implicações globais.

Domingo, 22 de Março de 2026 às 10:58, por: CdB

Desde o início do conflito, o Irã lançou mais de 400 mísseis balísticos contra Israel, dos quais 92% foram interceptados, segundo as Forças Armadas israelenses.

Por Redação, com RFI – de Teerã

Teerã ameaçou neste domingo atingir infraestruturas críticas no Oriente Médio, em resposta a um ultimato do presidente americano Donald Trump, que exigiu a reabertura do Estreito de Ormuz em 48 horas. O conflito, que já dura três semanas, se intensifica.

Teerã ameaça alvos estratégicos após ultimato de Trump | Pessoas observam local de ataque de míssil iraniano em Dinoma, Israel
Pessoas observam local de ataque de míssil iraniano em Dinoma, Israel

Na manhã deste domingo, explosões foram ouvidas em Jerusalém, segundo jornalistas da agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP), um dia após dois ataques iranianos particularmente destrutivos que deixaram mais de cem feridos no sul de Israel, incluindo em Dimona, cidade que abriga o centro nuclear israelense. Desde o início do conflito, o Irã lançou mais de 400 mísseis balísticos contra Israel, dos quais 92% foram interceptados, segundo as Forças Armadas israelenses. Israel, por sua vez, afirmou estar realizando ataques “no coração de Teerã”, sem fornecer mais detalhes.

– A única coisa que todos sentimos neste momento é a incerteza sobre o desfecho dessa guerra – disse à AFP Shiva, uma moradora de Teerã de 31 anos. “Perdemos nossos empregos, não temos mais renda e não sabemos por quanto tempo conseguiremos aguentar.”

Na noite de sábado, Donald Trump deu um ultimato ao Irã: reabrir o Estreito de Ormuz — vital para o abastecimento global de hidrocarbonetos — até segunda-feira à noite. Caso contrário, os Estados Unidos “atacarão e destruirão” as usinas elétricas iranianas, “começando pela maior!”, escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social.

O Irã respondeu imediatamente, ameaçando atingir infraestruturas “energéticas, de tecnologia da informação e de dessalinização de água” na região. As ameaças mútuas ocorrem no 23º dia da guerra, desencadeada em 28 de fevereiro por uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que revida com ataques em toda a região, apoiado por seus aliados locais.

Ataques a instalações nucleares

Em Israel, no domingo, moradores reagiram com uma mistura de surpresa e resignação após os mísseis iranianos. O Irã atingiu primeiro uma zona residencial em Dimona, onde fica um centro estratégico de pesquisa nuclear no deserto de Neguev, deixando cerca de 30 feridos. Einav Alon, 37 anos, dona de um supermercado danificado pelo ataque, descreveu a cena: “Quando saímos do abrigo (em casa), tudo estava destruído.”

Em seguida, Teerã atacou a cidade de Arad, deixando 84 feridos, dos quais 10 em estado grave. “É assustador… Esta cidade nunca tinha vivido algo assim”, contou Ido Franky, um adolescente de 17 anos.

– Esta é uma noite muito difícil na batalha pelo nosso futuro –declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em comunicado. “Estamos determinados a continuar atingindo nossos inimigos em todas as frentes.”

Ao mirar Dimona, o Irã afirmou estar retaliando um ataque “inimigo” contra um de seus complexos nucleares em Natanz, no sul de Teerã. As Forças Armadas de Israel negaram ter conhecimento de tal ataque, enquanto a televisão pública israelense Kan afirmou que se tratava de uma ação americana.

Segundo a Organização Iraniana de Energia Atômica, “nenhum vazamento de material radioativo foi registrado” no local, que já havia sido bombardeado no início de março. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também informou que “nenhum nível anormal de radiação foi detectado” após o ataque a Dimona, mas seu diretor, Rafael Grossi, pediu “máxima contenção militar” para evitar riscos de acidente nuclear. Israel é considerado o único país do Oriente Médio com armas nucleares, embora mantenha ambiguidade sobre o assunto.

Ao lançar a ofensiva militar contra o Irã, junto com Israel, Donald Trump afirmou que o objetivo era eliminar a ameaça nuclear iraniana, já alvo de uma guerra de 12 dias em junho de 2025.

Escalada regional e impacto econômico

Na quarta semana de conflito, a guerra continua a se espalhar pelo Oriente Médio. Um ataque na fronteira norte de Israel deixou a primeira vítima civil, morta por um foguete lançado do Líbano. O Hezbollah libanês, que entrou na guerra ao lado do Irã em 2 de março, afirmou ter disparado uma saraivada de foguetes contra soldados israelenses na mesma região.

No Iraque, entre seis e oito ataques noturnos com foguetes e drones atingiram um centro diplomático e logístico americano no Aeroporto Internacional de Bagdá, segundo fontes de segurança iraquianas. As ações não foram reivindicadas, mas facções armadas iraquianas pró-Irã têm atacado regularmente interesses americanos em apoio a Teerã desde o início da guerra.

O Irã também mira países do Golfo, buscando desestabilizar o abastecimento global de hidrocarbonetos. Neste domingo, três mísseis balísticos atingiram a região de Riad: um foi interceptado, e dois caíram em áreas desabitadas, segundo o Ministério da Defesa saudita. Os Emirados Árabes Unidos também relataram ter respondido a ataques com mísseis e drones iranianos.

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã agravou a alta nos preços do petróleo e do gás, gerando preocupação para a economia global. Perto do estreito, um “projétil desconhecido” explodiu próximo a um cargueiro que navegava no Golfo, ao norte da cidade emiradense de Sharjah, segundo a agência marítima britânica UKMTO. A tripulação não sofreu ferimentos.

Cerca de 20 países, incluindo Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, França e Japão, declararam estar “prontos para contribuir” com os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz.

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