Rio de Janeiro, 22 de Julho de 2026

‘Tarifaço’ dos EUA entra em vigor, mas não abala a decisão brasileira

Em diferentes momentos, o presidente garantiu também que pretende apoiar os setores afetados e acelerar a abertura de mercados, sem recorrer de imediato a...

Quarta, 22 de Julho de 2026 às 21:43, por: CdB

Em diferentes momentos, o presidente garantiu também que pretende apoiar os setores afetados e acelerar a abertura de mercados, sem recorrer de imediato a medidas de reciprocidade.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros passou a valer à 1h01 desta quarta-feira, o que amplia a pressão comercial sobre a economia do país. Ainda assim, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garante que se manterá na mesa de negociações com Washington.

Comércio
As vendas do comércio se baseiam também nos resultados das exportações

Em diferentes momentos, o presidente garantiu também que pretende apoiar os setores afetados e acelerar a abertura de mercados, sem recorrer de imediato a medidas de reciprocidade. A sobretaxa foi formalizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na sexta-feira.

A decisão decorre de uma investigação conduzida pelo órgão norte-americano sobre políticas brasileiras consideradas prejudiciais às empresas dos EUA. A alíquota imposta incide sobre uma parcela dos produtos exportados pelo Brasil, embora a relação completa das mercadorias atingidas não tenha sido detalhada nas informações divulgadas até aqui.

 

Cobrança

O novo encargo se soma ao ambiente de tensão aberto pelo primeiro tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, que estabeleceu uma cobrança de 50% em julho de 2025. No início de junho, o USTR já havia proposto a tarifa adicional de 25% com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O dispositivo permite ao governo norte-americano investigar práticas estrangeiras classificadas como injustas e adotar sanções comerciais em resposta. Após realizar audiências públicas, nas quais representantes da sociedade civil se manifestaram contra a medida, a instância governamental concluiu que determinadas políticas brasileiras provocariam insegurança jurídica e condições desfavoráveis aos agentes econômicos norte-americanos.

A investigação abrangeu temas como comércio digital, tarifas preferenciais, mecanismos de combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, mercado de etanol e ações contra o desmatamento ilegal. Esses pontos foram usados pelo USTR para justificar a imposição da nova alíquota.

 

Impasse

Emissários dos EUA questionaram o nível de participação do Brasil nas tratativas, enquanto negociadores brasileiros classificaram as exigências apresentadas por Washington como “muito ruins e desvantajosas” para a indústria e a agricultura brasileiras. Segundo relatos apurados pelo canal norte-americano de TV CNN, parte das conversas também ficou paralisada porque o governo norte-americano não teria esclarecido de maneira suficiente quais mudanças esperava do Brasil.

Ao reagir à decisão, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. Na ocasião, o Palácio do Planalto também sinalizou que poderia acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.

Apesar da declaração inicial, o Executivo passou a adotar um discurso mais cauteloso. A estratégia definida até agora combina a continuidade das negociações, o diálogo com empresas e entidades produtivas, a procura por compradores em outros países e a preparação de uma resposta fundamentada em critérios técnicos.

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