Em diferentes momentos, o presidente garantiu também que pretende apoiar os setores afetados e acelerar a abertura de mercados, sem recorrer de imediato a medidas de reciprocidade.
Por Redação, com Reuters – de Brasília
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros passou a valer à 1h01 desta quarta-feira, o que amplia a pressão comercial sobre a economia do país. Ainda assim, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garante que se manterá na mesa de negociações com Washington.

Em diferentes momentos, o presidente garantiu também que pretende apoiar os setores afetados e acelerar a abertura de mercados, sem recorrer de imediato a medidas de reciprocidade. A sobretaxa foi formalizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na sexta-feira.
A decisão decorre de uma investigação conduzida pelo órgão norte-americano sobre políticas brasileiras consideradas prejudiciais às empresas dos EUA. A alíquota imposta incide sobre uma parcela dos produtos exportados pelo Brasil, embora a relação completa das mercadorias atingidas não tenha sido detalhada nas informações divulgadas até aqui.
Cobrança
O novo encargo se soma ao ambiente de tensão aberto pelo primeiro tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, que estabeleceu uma cobrança de 50% em julho de 2025. No início de junho, o USTR já havia proposto a tarifa adicional de 25% com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
O dispositivo permite ao governo norte-americano investigar práticas estrangeiras classificadas como injustas e adotar sanções comerciais em resposta. Após realizar audiências públicas, nas quais representantes da sociedade civil se manifestaram contra a medida, a instância governamental concluiu que determinadas políticas brasileiras provocariam insegurança jurídica e condições desfavoráveis aos agentes econômicos norte-americanos.
A investigação abrangeu temas como comércio digital, tarifas preferenciais, mecanismos de combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, mercado de etanol e ações contra o desmatamento ilegal. Esses pontos foram usados pelo USTR para justificar a imposição da nova alíquota.
Impasse
Emissários dos EUA questionaram o nível de participação do Brasil nas tratativas, enquanto negociadores brasileiros classificaram as exigências apresentadas por Washington como “muito ruins e desvantajosas” para a indústria e a agricultura brasileiras. Segundo relatos apurados pelo canal norte-americano de TV CNN, parte das conversas também ficou paralisada porque o governo norte-americano não teria esclarecido de maneira suficiente quais mudanças esperava do Brasil.
Ao reagir à decisão, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. Na ocasião, o Palácio do Planalto também sinalizou que poderia acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.
Apesar da declaração inicial, o Executivo passou a adotar um discurso mais cauteloso. A estratégia definida até agora combina a continuidade das negociações, o diálogo com empresas e entidades produtivas, a procura por compradores em outros países e a preparação de uma resposta fundamentada em critérios técnicos.