Os relatos indicam que ao menos dois vagões descarrilaram e caíram em um barranco após o impacto.
Por Redação, com ANSA – de Madri
Uma colisão entre dois trens de alta velocidade que liga Madri à Andaluzia, no sul da Espanha, deixou dezenas de mortos e feridos nesta quarta-feira.

O acidente ferroviário ocorreu pouco depois das 9h (horário local), entre as localidades de Los Yébenes e Urda, na província de Toledo, região de Castilla-La Mancha, e provocou ao menos 68 mortos.
Em declaração à imprensa no local da tragédia, o presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, informou que 53 pessoas foram hospitalizadas, sendo 15 em estado grave.
– Equipes com cães farejadores serão mobilizadas para verificar se há sobreviventes entre os escombros – afirmou ele, ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
O episódio envolveu um trem operado pela estatal espanhola Renfe, que havia partido de Madri às 8h com destino a Sevilha, e uma composição da empresa privada Iryo. Ao todo, 147 pessoas estavam a bordo do trem da Iryo e 397 nos vagões da Renfe.
Os relatos indicam que ao menos dois vagões descarrilaram e caíram em um barranco após o impacto. A dinâmica da colisão ainda não foi esclarecida, mas uma reconstrução inicial do centro de controle ferroviário de Madri, citada pela imprensa espanhola, indicava que o trem da Renfe teria atingido a composição da Iryo, que estaria parada na linha. A suspeita é de erro humano.
As autoridades acionaram o protocolo de proteção civil e mobilizaram equipes de bombeiros e ambulâncias das localidades de Los Yébenes e Urda. Hospitais e prefeitos da província de Toledo também foram alertados para reforçar a capacidade de atendimento diante da gravidade da ocorrência.
Testemunhos de passageiros à emissora Cadena SER descreveram uma frenagem brusca, que teria lançado pessoas pelos corredores dos vagões. Testemunhas também relataram dificuldades para retirar vítimas de áreas atingidas pelo descarrilamento.
A identificação das vítimas e a apuração das circunstâncias do acidente dependem do avanço das operações de resgate e das investigações.
O primeiro-ministro da Espanha manifestou “solidariedade, carinho e apoio” às vítimas e afirmou que mantém contato com o ministro dos Transportes, Óscar Puente, e com as autoridades locais.
Em uma mensagem publicada na rede social X, Sánchez destacou que as equipes de emergência trabalham no local para prestar assistência aos envolvidos e garantir a segurança. O chefe de governo suspendeu os compromissos previstos para o dia para visitar a área do acidente.
O líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, também cancelou sua agenda. As atividades estavam relacionadas à preparação para as eleições gerais previstas para 29 de novembro.
A gestora da infraestrutura ferroviária espanhola, Adif, anunciou a suspensão do tráfego de trens de alta velocidade na linha Madri-Andaluzia após o acidente.
A tragédia provocou manifestações de solidariedade de autoridades europeias. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que seu governo se solidariza com a Espanha e com as famílias das vítimas, além de reconhecer o trabalho das equipes de resgate.
– Meus pensamentos, e os de todo o nosso governo, estão com as famílias das vítimas, com os feridos e com todos aqueles que trabalham incansavelmente nas operações de resgate – declarou a premiê italiana.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou as primeiras notícias como devastadoras e declarou que seus pensamentos estavam com os familiares das vítimas. Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, também expressou condolências e desejou a recuperação dos feridos.
Itália
O Ministério das Relações Exteriores da Itália anunciou nesta quarta-feira que cinco cidadãos italianos estavam a bordo de um dos trens de alta velocidade envolvidos na colisão nas proximidades de Toledo, na Espanha.
Segundo a Farnesina, quatro passageiros estão bem, enquanto a situação do quinto ainda está sendo verificada. Até o momento, as identidades dos italianos não foram divulgadas.
O cônsul da Itália em Madri chegou ao local do acidente e mantém contato com as autoridades locais.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, solicitou a criação de uma célula de crise na Embaixada italiana para manter contato com a polícia e as autoridades de saúde espanholas.
“No momento, não foram recebidas outras informações pela Unidade de Crise ou pelas missões diplomático-consulares em Madri, que continuam acompanhando a situação”, conclui a nota.