Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Setor de biocombustível pressiona por novo aumento na mistura ao diesel

Associações do setor de biocombustíveis pedem aumento da mistura de biodiesel ao diesel, destacando vantagens econômicas e críticas aos subsídios do diesel fóssil.

Quarta, 22 de Abril de 2026 às 20:52, por: CdB

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) dizem que o biodiesel fica mais em conta do que o seu equivalente fóssil e importado.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

Duas das maiores associações do setor de biocombustíveis, no país, ampliaram o esforço junto ao governo, nas últimas semanas, com críticas aos subsídios para importação de diesel fóssil, enquanto reluta em cumprir o índice de mistura de biodiesel produzido no Brasil.

Setor de biocombustível pressiona por novo aumento na mistura ao diesel | Os biocombustíveis também podem abastecer aviões
Os biocombustíveis também podem abastecer aviões

Em pedido encaminhado aos ministérios da Fazenda, Casa Civil, Desenvolvimento e Planejamento, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) dizem que o biodiesel fica mais em conta do que o seu equivalente fóssil e importado. O litro do combustível de origem vegetal estava fixado em R$ 5,10, ante R$ 6,20 do diesel fóssil, na cotação do mercado de commodities.

O subsídio ao diesel trazido de fora do país foi uma das medidas tomadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na tentativa de evitar que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã eleve o preço do combustível no país — o que pode impactar negativamente na inflação. Cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado. Segundo as associações, há “falta de isonomia no tratamento de política pública dado ao biodiesel comparativamente ao diesel fóssil”.

 

Diferencial

Tanto a Abiove quanto a Aprobio afirmam, no pedido encaminhado, que “a reforma tributária estabelece expressamente que é preciso manter diferencial competitivo em favor dos biocombustíveis” em relação aos combustíveis fósseis.

“Além disso, em momentos de mercado nos quais o preço do biodiesel se encontra acima do preço do diesel A (fóssil), nunca se cogitou em utilizar mecanismo de subvenção visando garantir diferencial competitivo”, afirmam, em ofício enviado ao governo ao qual o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP) teve acesso, confirmado pela reportagem do Correio do Brasil.

O aumento da mistura do biodiesel no produto fóssil seria a melhor saída para controlar o preço, argumentam as instituições setoriais. A reivindicação é que o país avance para a mistura obrigatória de 16% de biodiesel, o chamado B16. Hoje o percentual está em 15%, segundo o levantamento.

 

Resistência

A alternância é definida na Lei do Combustível do Futuro, que estabeleceu um cronograma progressivo de aumento ano a ano. Estava previsto que o Brasil passaria de B15 para B16 até o fim de março, o que não ocorreu, por adiamento do Conselho.

Pesa para ampliar a resistência do governo o fato de que, em determinados momentos, o biodiesel fica mais caro do que o diesel fóssil, em razão da volatilidade dos preços da soja, principal matéria-prima do biodiesel. Assim, aumentar sua participação na mistura obrigatória pode elevar o custo final ao consumidor no longo prazo, pressionando os índices inflacionários.

Em lugar da ampliação do uso de biodiesel, os ministérios de Minas e Energia, da Fazenda e do Orçamento decidiram, primeiro, isentar o combustível fóssil de PIS e Cofins (o que também incluiu biodiesel) e, depois, anunciar a subvenção ao fóssil, que chegou, em abril, a R$ 1,52 por litro (para o diesel importado).

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