O resultado, no entanto, é dado como certo: o partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, deve manter ampla maioria, e as autoridades já trataram de excluir da disputa as vozes contrárias ao conflito.
Por Redação, com ANSA – de Moscou
A Rússia iniciou nesta sexta-feira três dias de votação para renovar a Duma, na primeira eleição para renovar a câmara baixa do Parlamento desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.

O resultado, no entanto, é dado como certo: o partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, deve manter ampla maioria, e as autoridades já trataram de excluir da disputa as vozes contrárias ao conflito.
O histórico partido de oposição Yabloko (Partido Democrático Unido Russo), que critica abertamente a intervenção militar na Ucrânia, foi retirado da votação proporcional (que define metade dos assentos da Duma) pela Suprema Corte no mês passado, sob a acusação de violações de propriedade intelectual em seu site.
Candidatos da legenda também foram desqualificados em diversos distritos majoritários.
Em pronunciamento televisionado, Putin convocou os russos a votar e classificou a eleição como “decisiva em muitos aspectos”, após quatro anos e sete meses de um conflito que, para a Rússia, já dura mais do que a Segunda Guerra Mundial.
– Esta será a nossa resposta comum àqueles que querem enfraquecer a Rússia, frear seu desenvolvimento e nos privar da nossa soberania – disse.
Além do Rússia Unida, que obteve 49,8% dos votos em 2021 e 324 das 450 cadeiras na Duma, concorrem quatro legendas da chamada “oposição de sistema”: o Partido Comunista, de Gennady Zyuganov, o Rússia Justa, o Partido Liberal-Democrata e o Gente Nova. Todos evitam atacar Putin diretamente e não questionam a chamada “operação militar especial”.
Pela primeira vez, o pleito ocorre também nas quatro regiões ucranianas parcialmente ocupadas e anexadas por Moscou em 2022: Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson.
Enquanto isso, os efeitos da guerra se fazem sentir na economia: a inflação disparou, e os ataques de drones ucranianos a refinarias provocaram escassez de combustível e longas filas nos postos, inclusive em Moscou e São Petersburgo.
Apesar do controle sobre as candidaturas, a oposição no exílio tenta se mobilizar. Yulia Navalnaya, viúva do opositor Alexei Navalny, morto em uma colônia penal no Ártico em 2024, e o político Maxim Katz pediram que os eleitores votem em qualquer partido que não seja o Rússia Unida e divulgaram uma lista de candidatos em distritos majoritários. Já o Yabloko orienta seus apoiadores a escolher apenas os candidatos do partido e anular a cédula nos demais casos.
Navalnaya e o também opositor Ilya Yashin ainda convocaram os russos a comparecer em massa às urnas ao meio-dia de domingo, em uma forma silenciosa e não arriscada de protesto.
– As eleições para a Duma evidenciam a contínua e crescente erosão da democracia na Rússia. As autoridades russas intensificaram a repressão sistemática e institucionalizada para impedir que qualquer força de oposição democrática desafiasse o status quo – afirmou um porta-voz da Comissão Europeia.
Ataques
As eleições para a Duma começaram em meio a uma chuva de drones lançada pela Ucrânia. Segundo o Ministério da Defesa de Moscou, as Forças Armadas interceptaram pelo menos 629 aeronaves não tripuladas na Crimeia ocupada e nas águas do Mar de Azov e do Mar Negro durante a última madrugada.
Em Sochi, na costa russa no Mar Negro, a votação chegou a ser suspensa por 1h30 na manhã desta sexta devido a uma ação de drones. O presidente Putin preferiu não ir a seu colégio eleitoral e votou de forma online.