Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Rússia comemora recuo de Trump sobre sanções

Donald Trump revogou sanções e tarifas alfandegárias contra o setor energético russo, previstas pela Lei Graham, apenas dois dias antes de entrarem em vigor.

Sábado, 17 de Outubro de 2026 às 10:58, por: CdB

Donald Trump revogou sanções e tarifas alfandegárias contra o setor energético russo, previstas pela Lei Graham, apenas dois dias antes de entrarem em vigor.

Por Redação, com RFI – de Moscou, Washington

A isenção, por parte de Donald Trump, de importantes sanções contra a Rússia, que haviam sido aprovadas pelo Congresso americano, foi classificada neste sábado como um momento “histórico” pelo principal negociador econômico de Vladimir Putin. A suspensão das medidas representa um novo revés para Kiev.

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com o presidente da Rússia, Vladimir Putin

– A suspensão da Lei Graham pela administração Trump é um momento importante e verdadeiramente histórico – escreveu nas redes sociais Kirill Dmitriev, assessor do Kremlin para a cooperação econômica internacional.

Na sexta-feira, Donald Trump assinou um decreto presidencial que revogou amplas sanções e tarifas alfandegárias dos Estados Unidos voltadas às receitas energéticas da Rússia, apenas dois dias antes de sua entrada em vigor.

O presidente norte-americano tomou a decisão em meio ao agravamento das tensões com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante o quinto ano da ofensiva russa contra a Ucrânia, conflito que já deixou centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados.

O Kremlin e o presidente russo, Vladimir Putin, que na sexta-feira apareceu de uniforme militar e afirmou que Moscou pretende tomar o restante do território ucraniano, ainda não haviam comentado oficialmente a medida, considerada uma importante vitória diplomática para a Rússia.

Crise com a Ucrânia

Batizada em homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, morto em julho e autor da proposta, a chamada Lei Graham foi promulgada em meados de setembro. O pacote de sanções tinha como principal alvo o setor energético russo.

Pela primeira vez, o instrumento previa atingir a chamada “frota fantasma” utilizada pela Rússia para driblar restrições internacionais. As medidas também miravam diretamente Vladimir Putin e outras altas autoridades russas.

A lei concedia a Donald Trump o poder de impor tarifas de até 100% aos cinco maiores importadores de petróleo e gás russos, entre eles China e Índia.

Segundo Dmitriev, a legislação provocaria “sérios danos, acima de tudo, à economia americana e aos mercados globais”.

Os países ocidentais adotaram duras sanções contra a Rússia após o início da invasão da Ucrânia, em 2022.

A suspensão das medidas tende a aprofundar a crise entre Washington e Kiev. Abalado pelas recentes declarações de Trump favoráveis a Moscou, Volodymyr Zelensky afirmou sentir-se “traído” e voltou a recorrer ao apoio dos aliados europeus. O presidente ucraniano pediu US$ 70 bilhões (cerca de R$ 380 bilhões) adicionais para financiar a resistência à invasão russa.

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