Marco Rubio e Donald Trump endureceram as críticas a Volodymyr Zelensky, cobrando foco no fim do conflito e negando falhas no repasse de inteligência, contestadas por Kiev após novos bombardeios russos.
Por Redação, com RFI – de Washington
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, voltou a criticar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e afirmou nesta segunda-feira que Kiev deve concentrar seus esforços em encerrar a guerra com a Rússia. As declarações foram feitas um dia depois de Donald Trump acusar o líder ucraniano de se recusar a pôr fim ao conflito.

Em visita a Samarcanda, no Uzbequistão, Marco Rubio contestou as afirmações de Zelensky de que os Estados Unidos teriam retomado o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia após uma interrupção temporária.
– Não sei de onde Volodymyr Zelensky tirou isso ou por que decidiu falar sobre o assunto à imprensa. Vocês deveriam perguntar a ele. Não houve nenhuma interrupção – declarou o secretário de Estado aos jornalistas que acompanhavam sua viagem. O secretário de Estado acrescentou que o presidente ucraniano deveria se concentrar em “colocar fim à guerra”.
No entanto, Zelensky ressaltou nesta segunda-feira que a Ucrânia voltou a ser suprendida por bombardeios russos sem receber alertas prévios dos aliados ocidentais.
“Durante a noite ocorreu uma nova série de ataques russos com mísseis balísticos e, mais uma vez, não houve qualquer aviso prévio de nossos parceiros”, escreveu o presidente ucraniano no X.
Segundo ele, a Rússia lançou 16 mísseis balísticos contra Kiev e sua região metropolitana entre domingo e segunda-feira.
Trump, Xi e Putin
Questionado sobre a notícia publicada pelo Wall Street Journal de um eventual encontro entre os presidentes russo, Vladimir Putin, norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, Rubio evitou confirmar a informação.
Segundo o jornal norte-americano, a reunião foi proposta por Putin para discutir o fim do conflito na Ucrânia. Ela seria realizada durante a cúpula da Apec, Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), marcada para os dias 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, na China, sem a participação de Kiev.
– Não sei se isso já foi finalizado – disse. O chefe da diplomacia norte-americana reiterou, porém, que a posição de Trump permanece inalterada e visa buscar o fim da guerra.
– No que diz respeito à nossa relação com a Ucrânia, nosso objetivo é acabar com uma guerra que ninguém está vencendo – afirmou Rubio.
Ele reiterou o risco de expansão do conflito para outras regiões da Europa.
Discurso
As declarações reforçam o endurecimento do discurso de Washington em relação a Kiev. No domingo, Trump afirmou que Zelensky “não quer acabar com esta guerra” e voltou a criticar os ataques ucranianos contra refinarias russas, que, segundo ele, contribuem para a alta dos preços do diesel no mercado internacional.
Apesar das críticas, Zelensky manteve contato nos últimos dias com enviados da Casa Branca e afirmou que a Ucrânia continua disposta a trabalhar de forma “construtiva” com os Estados Unidos. O líder ucraniano também disse ser grato pela retomada do compartilhamento de inteligência, considerado crucial para a defesa do país diante da intensificação dos ataques russos.
Nos últimos dias, Trump suspendeu a aplicação de novas sanções contra a Rússia por 60 dias e anunciou um acordo para importação de diesel russo pelos Estados Unidos. As decisões geram crescente preocupação entre autoridades ucranianas com o futuro do apoio norte-americano.
Enquanto o embate diplomático se intensifica, os ataques continuam no campo de batalha. Os bombardeios russos na madrugada desta segunda-feira deixaram ao menos um morto em Kiev, enquanto São Petersburgo registrou no domingo o maior ataque de drones ucranianos desde o início da guerra, em 2022.