Trabalhadores cobram salários, benefícios atrasados e verbas rescisórias; ato ocorre dois dias após a prefeitura lacrar as garagens das viações por falta de vistoria nos veículos.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Motoristas e funcionários das viações Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel realizaram, na manhã desta segunda-feira, protestos em frente às garagens das empresas para cobrar o pagamento de salários, benefícios e verbas rescisórias em atraso. As manifestações ocorrem em meio à indefinição sobre o futuro das concessionárias, impedidas de operar no município após a prefeitura lacrar as garagens devido a irregularidades na frota.

Segundo o Sindicato dos Rodoviários, os trabalhadores cobram o pagamento de férias, vale-alimentação, além da retomada dos depósitos de FGTS e INSS, que estariam suspensos desde abril do ano passado. A entidade chegou a ingressar, no fim de semana, com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para garantir os direitos da categoria após a interrupção das atividades das empresas.
Trabalhadores
De acordo com o sindicato, cerca de 600 profissionais que atuavam nas duas viações foram surpreendidos com o encerramento das operações e não receberam as verbas rescisórias. O ato reuniu trabalhadores desde as primeiras horas da manhã em frente à garagem compartilhada pelas empresas.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a decisão da prefeitura não levou em conta a situação dos funcionários.
– Ingressamos imediatamente com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho, pedindo antecipação de tutela para que as empresas Real e Vila Isabel, além de todos os consórcios, sejam responsabilizados pelo pagamento das verbas rescisórias. São mais de 600 profissionais com 20, 30 e até 40 anos de serviços prestados à população do Rio que foram pegos de surpresa e não foram devidamente indenizados – disse.
Garagens
Os protestos ocorrem dois dias após a prefeitura do Rio lacrar as garagens da Real Auto Ônibus e da Vila Isabel, durante uma operação de fiscalização realizada no último sábado. A medida foi adotada após as empresas não cumprirem o prazo para vistoria obrigatória dos veículos.
Segundo dados apresentados pela prefeitura, apenas 16 dos cerca de 200 ônibus da Real Auto Ônibus estavam em situação regular. No caso da Vila Isabel, nenhum dos 50 veículos havia passado pela vistoria anual no prazo exigido.
Apesar de um plano firmado com o município prever a circulação de ao menos 250 ônibus, na última sexta-feira apenas 17 veículos estavam em operação.
O prefeito Eduardo Paes (PSD), que participou da ação, chegou a se posicionar sobre o caso nas redes sociais. Segundo ele, as empresas estavam operando com menos de 10% dos coletivos que deveriam ser disponibilizados para o transporte público . Na publicação, o prefeito disse que o consórcio precisará assumir a responsabilidade de colocar ao menos 60% dos coletivos nas ruas a partir desta segunda-feira.