Na época dos fatos, a investigação apontou que o jovem teria sido executado após ser acusado por traficantes de atuar como informante da polícia.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Quase quatro anos após a execução do professor de informática Caio Geovanne Bernardino da Silva, de 24 anos, a família ainda vive a angústia de não ter realizado o sepultamento. O jovem morreu após ser executado por criminosos em agosto de 2022, na comunidade São Leopoldo, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Desde então, o corpo nunca foi localizado.

Segundo a mãe da vítima, Rita de Cássia Bernardino, a falta de respostas prolonga o sofrimento da família. Ela afirma que o principal desejo é poder enterrar o filho e encerrar, ao menos em parte, o ciclo de dor provocado pelo crime.
– [Na época] ele falou ‘mãe, estou morando de aluguel. Mas aqui é tranquilo, ninguém mexe comigo’. Eu falei que tinha duas casas, que ele não precisava morar de aluguel. Meu filho não tinha vício, era evangélico, estaria com 27 anos se estivesse vivo – relembra Rita.
No ano dos fatos, a investigação apontou que o jovem teria sido executado após ser acusado por traficantes de atuar como informante da polícia. A suspeita teria surgido pelo fato de ele ter se mudado recentemente para a comunidade e ser neto e afilhado de policial militar, ambos já mortos.
– Eles [suspeitos] foram na casa, ele estava almoçando. Um ficou no portão e outro perto dele. Falaram: ‘Vamos, você vai ter que subir para falar com o chefe’. Quando meu filho saiu, chegou a falar: ‘Eu não devo nada a ninguém, vou voltar’. Na inocência. Ele foi para o alto do morro, onde tem o sítio Retiro Feliz, e acabou morto – relembra a matriarca.
Investigação
O caso foi registrado inicialmente na 54ª DP (Belford Roxo). Em junho de 2023, o Ministério Público solicitou a realização de diligências para tentar localizar os restos mortais da vítima, incluindo buscas em um sítio conhecido como Retiro Feliz, apontado como possível local de ocultação de cadáver.
Ao Agenda do Poder, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), responsável pela investigação, disse que as diligências solicitadas pelo MP foram cumpridas, mas que não encontraram indícios que levassem ao paradeiro do corpo.
Ainda segundo a especializada, em fevereiro deste ano foram feitas novas buscas na comunidade São Leopoldo, durante diligências relacionadas a outra investigação. A operação contou com apoio técnico do Corpo de Bombeiros. Após o esgotamento dos protocolos adotados em casos de localização de restos mortais, não foram identificados vestígios ou elementos que indicassem a ocultação de cadáver na área.
“A investigação segue em andamento para esclarecer os fatos e localizar o desaparecido”, diz a nota.
Jovem deixa filha
Enquanto aguarda respostas, a família mantém a esperança de que novas informações possam surgir.
– Uns falam que enterraram meu filho vivo. Outros falam que ele foi queimado no pneu. Só quero recuperar o corpo do meu filho. Hoje eu crio a filha dele, ela tem 5 anos e todo dia pergunta se o pai vai voltar – diz emocionada.
Ela afirma que continuará cobrando das autoridades novas buscas e a responsabilização dos envolvidos.