Reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial de Goiás, a Procissão do Fogaréu simboliza a perseguição e prisão de Jesus Cristo desde 1745.
Por Redação – de Goiás (GO)
Espiritualidade e fé marcaram a Procissão do Fogaréu na cidade de Goiás, que terminou na madrugada desta quinta-feira, véspera da Paixão de Cristo. A tradicional encenação, ponto alto da Semana Santa, reuniu milhares de pessoas entre moradores, turistas e fiéis nas ruas da antiga capital. O governador Daniel Vilela e a primeira-dama Iara Netto Vilela acompanharam de perto a festividade religiosa que neste ano completa 281 anos. Para o chefe do Executivo goiano, é essencial que a população esteja presente na vida religiosa e cultural do estado.

— Isso que acontece aqui, essa encenação da crucificação de Jesus Cristo, é um momento muito especial. As pessoas precisam conhecer as nossas tradições, antepassados e origens. Esse resgate cultural passa pelo investimento na reforma dos prédios históricos. Isso é formar as novas gerações com a convicção das suas origens, da sua cultura e também com os princípios religiosos — afirmou.
A primeira-dama, Iara Vilela, enfatizou o simbolismo da data e a importância da valorização dos costumes e cultura de Goiás.
— A Procissão do Fogaréu é uma tradição muito importante para o estado e para a história do povo goiano. Estar na cidade de Goiás neste momento é valorizar uma celebração que passa de geração em geração e mantém viva a nossa cultura. Este é um momento de respeito à fé e de reconhecimento de um patrimônio que é de todos nós — observou.
Farricocos
Reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial de Goiás, a Procissão do Fogaréu simboliza a perseguição e prisão de Jesus Cristo desde 1745. A manifestação tem início à meia noite da quarta-feira e termina na madrugada de quinta-feira santa, quando os soldados romanos, representados por farricocos utilizando túnicas coloridas e chapéus pontudos, percorrem as ruas de pedra da cidade, descalços e segurando tochas.
A caminhada tem início na Igreja da Boa Morte (Museu de Arte Sacra da Boa Morte), onde o som dos tambores da fanfarra anuncia a saída dos farricocos. Depois, o cortejo passa pela Igreja do Rosário, que simboliza o local da Última Ceia, e segue até chegar à Igreja de São Francisco de Paula, representando o Monte das Oliveiras.
A tradição centenária é realizada em Goiás, trazida pelo padre espanhol João Perestrello de Vasconcelos.
Investimento
Por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o Governo de Goiás destinou neste ano R$ 200 mil para a realização da Semana Santa. O valor contribuiu com a parte estrutural, como montagem de palco, iluminação, sonorização e organização das atividades.
Ao todo já foram destinados R$ 1,2 milhão na realização do evento desde 2022. Para a secretária da cultura, Yara Nunes, o apoio do estado é essencial para preservar uma das tradições mais importantes do Estado.
— Sem o apoio do Estado estes costumes vão se perdendo, a população muitas vezes não consegue manter essas tradições sem esse suporte”. Yara enfatiza que os investimentos em cultura são “um trabalho crucial que o Estado faz para preservar essas tradições — concluiu.