Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 2026

Policiais são investigados por suspeita de ligação com facção

A investigação também apura a participação de policiais militares, suspeitos de fornecer informações sigilosas sobre operações policiais e negociar armas e munições destinadas à facção.

Terça, 13 de Outubro de 2026 às 11:01, por: CdB

A investigação também apura a participação de policiais militares, suspeitos de fornecer informações sigilosas sobre operações policiais e negociar armas e munições destinadas à facção.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Três homens foram presos nesta terça-feira em uma operação da Polícia Civil do Rio contra uma rede de tráfico de drogas e armas ligada ao Comando Vermelho (CV).

Polícia apura relação de agentes com grupo criminoso

A investigação também apura a participação de policiais militares, suspeitos de fornecer informações sigilosas sobre operações policiais e negociar armas e munições destinadas à facção.

Um dos presos é Leonardo Aguiar, conhecido como Da Nike, apontado como braço armado do Comando Vermelho. A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com apoio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e da Corregedoria da Polícia Militar.

Os agentes cumpriram mandados de prisão expedidos pela 16ª Vara Criminal da Capital em Del Castilho e na Penha, na Zona Norte do Rio; em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; e em Maricá, na Região Metropolitana.

As apurações começaram em outubro de 2023, quando o então policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, o Kiko, foram presos em flagrante na Avenida Brasil. Com eles, os agentes encontraram mais de 100 quilos de cocaína.

A análise do caso levou os investigadores a suspeitar de uma estrutura responsável por comprar, transportar e distribuir grandes quantidades de drogas e armamentos para o Comando Vermelho. Segundo a DRE, os integrantes tinham funções definidas e atuavam de forma coordenada para abastecer comunidades dominadas pela facção.

Kiko é apontado como um dos responsáveis pela logística do esquema. De acordo com a investigação, ele mantinha contato com lideranças do CV para organizar o transporte e a entrega das drogas.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e análises de dados telemáticos também identificaram conversas entre Kiko e Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista. Ele é apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio.

Segundo os investigadores, Paulista participava das articulações para compra e distribuição de drogas e armas, além de coordenar pessoas envolvidas no abastecimento da organização criminosa.

Policiais 

Outra frente das apurações busca esclarecer como agentes públicos teriam usado informações obtidas no exercício da função para favorecer o grupo criminoso.

Entre os investigados está o policial militar Eric da Silva Lobato, suspeito de participar de negociações ilegais de armas de fogo, munições e acessórios. Já Luciano Santos de Oliveira, o Hot Wheels, é apontado como uma das lideranças do tráfico em comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Conforme a investigação, Hot Wheels recebia informações privilegiadas sobre ações policiais por meio de Yuri Desiderati. A suspeita é de que o militar utilizasse sua posição na corporação para facilitar as atividades da facção.

A DRE também aponta que os envolvidos atuavam na segurança de lideranças do tráfico e na vigilância de territórios controlados pelo Comando Vermelho, com o uso de armas de fogo para manter o domínio dessas áreas.

Yuri Desiderati foi morto a tiros em 12 de julho deste ano, quando chegava ao condomínio onde morava, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio.

Em outubro de 2023, o agente foi detido durante uma operação da Polícia Civil na Avenida Brasil, na altura do Complexo da Maré, após ser encontrado dentro de um caminhão que transportava 151 kg de cocaína.

Na época, as investigações apontaram que Yuri era homem de confiança de Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, e de William Souza Guedes, o Corolla, apontados como integrantes da cúpula do Comando Vermelho.

O assassinato é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

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