Carlos Fernando Dias Chaves matou duas pessoas em 2015 após confundir macaco hidráulico com arma, segundo a acusação.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O policial militar Carlos Fernando Dias Chaves foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado pelas mortes do mototaxista Thiago Guimarães Dingo, de 24 anos, e do estudante Jorge Lucas Paes, de 17. A sentença foi proferida na madrugada desta quinta-feira, após um julgamento que durou cerca de 15h no IV Tribunal do Júri da Capital.

Chaves recebeu 14 anos de reclusão pela morte de Jorge Lucas e outros 16 anos pelo assassinato de Thiago. Além da pena de prisão, a Justiça determinou a perda do cargo público de policial militar.
As mortes aconteceram em 2015, na Pavuna, Zona Norte do Rio. Os dois jovens estavam em uma motocicleta quando foram abordados por policiais durante um patrulhamento. Segundo o relato apresentado pelo PM após a ocorrência, o macaco hidráulico carregado pelo adolescente foi confundido com uma arma.
Na sentença, a juíza Lúcia Glioche destacou: “Ao optar conscientemente por praticar crimes dolosos contra a vida, não apenas violou o ordenamento jurídico, mas descumpriu com o dever de exemplo que se espera de um integrante das forças de segurança, frustrando a expectativa que se tem sobre seu cargo que é a de proteger a vida humana e os demais bens que compõem a personalidade da pessoa. A condição de policial militar impõe um zelo superior pela ordem pública, de modo que o cometimento de delitos qualificados pela violência demonstra um absoluto desprezo pelas regras que o agente tinha o dever funcional de fazer cumprir”.
Anos de dor
Durante o enterro de Thiago, policiais militares que acompanhavam a cerimônia foram hostilizados por pessoas presentes.
Meses depois, em dezembro de 2015, a Polícia Civil realizou uma reprodução simulada para tentar esclarecer a dinâmica dos disparos. Peritos refizeram os trajetos percorridos pelos dois jovens e pelos policiais envolvidos na abordagem.
Durante a reconstituição, foram registrados disparos na região, e policiais do Batalhão de Choque foram acionados para dar apoio à operação.