Parlamentar, que assumiu mandato após cassação de Chiquinho Brazão, foi alvo de ação que apura possível compra de votos em Nilópolis em 2024.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira, um mandado de busca e apreensão na casa do deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ), na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio.

A ação investiga um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Nilópolis, Baixada Fluminense, reduto eleitoral de Abrão.
A ordem judicial foi expedida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Agentes estiveram em um condomínio de casas de luxo onde o parlamentar mantém residência e apreenderam celulares e documentos.
A operação desta quinta é um desdobramento de uma investigação iniciada durante as eleições de 2024. Na ocasião, 24 pessoas foram presas em flagrante por suspeita de envolvimento em crimes eleitorais, entre elas três PMs. Os agentes também apreenderam R$ 63 mil que, segundo as investigações, seriam usados para compra de votos.
Em fevereiro de 2025, a PF realizou uma nova etapa da apuração, batizada de Operação Astreia, com cumprimento de mandados na Baixada Fluminense. O alvo foi Abraão Davi Neto, o Abraãozinho (PL), prefeito de Nilópolis e primo de Ricardo Abrão. Conforme a instituição, o caso envolve suspeitas de compra de votos, fraude à cota de gênero, desvio de recursos eleitorais e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, novos indícios apontaram que Ricardo Abrão teria atuado como financiador da captação ilícita de votos em benefício do grupo investigado.
Linhagem
Ricardo Martins David, conhecido como Ricardo Abrão, tem 53 anos, é empresário e foi presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. Ele é filho de Farid Abrão David, ex-prefeito de Nilópolis por três mandatos e também ex-presidente da agremiação.
O deputado assumiu o mandato em abril de 2025, após a cassação de Chiquinho Brazão. A investigação que motivou a ação desta quinta, porém, trata de suspeitas relacionadas às eleições municipais de 2024.
A PF apura as circunstâncias e a eventual participação dos investigados no suposto esquema.
– Recebi com estranheza a operação deflagrada pela Polícia Federal. Esclareço que não participei como candidato nas eleições de 2024. Estou tranquilo e à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários – informou Abrão.