Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Parlamento Europeu aprova regras migratórias mais rígidas

Nova estratégia da UE permite negar pedidos de refúgio sem análise, transferindo solicitantes para países considerados 'seguros'.

Terça, 10 de Fevereiro de 2026 às 15:04, por: CdB

A nova estratégia também permitirá aos Estados-membros da União Europeia negar um pedido de refúgio sem sequer examinar o mérito.

Por Redação, com ANSA – de Bruxelas

O Parlamento da União Europeia aprovou nesta terça-feira, de forma definitiva, novas regras que endurecem as políticas migratórias do bloco e permitem a transferência de solicitantes de refúgio para países considerados “seguros”, estratégia defendida pela Itália.

Parlamento Europeu aprova regras migratórias mais rígidas | Centro de detenção de imigrantes construído pela Itália na Albânia
Centro de detenção de imigrantes construído pela Itália na Albânia

Os dois textos receberam o aval do Legislativo graças a uma aliança entre eurodeputados de direita e extrema direita e estabelecem um procedimento acelerado para analisar pedidos de proteção internacional por parte de deslocados provenientes de Bangladesh, Colômbia, Egito, Kosovo, Índia, Marrocos e Tunísia, agora tidos como “seguros”.

Caberá ao próprio solicitante demonstrar que esse processo mais veloz não deve ser aplicado em seu caso, devido a um “fundamentado temor de perseguição ou ao risco de sofrer graves danos” se for repatriado.

Já a Comissão Europeia, poder Executivo da UE, ficará encarregada de monitorar a situação dos países “seguros” e poderá propor sua remoção permanente da lista.

A nova estratégia também permitirá aos Estados-membros da União Europeia negar um pedido de refúgio sem sequer examinar o mérito quando o solicitante tiver tido a possibilidade de requerer a proteção em um país terceiro considerado “seguro” e com o qual o deslocado tenha alguma espécie de ligação ou por onde ele tenha transitado antes de chegar no bloco.

Além disso, a UE ou um de seus membros poderá firmar acordos com países terceiros “seguros” para que os solicitantes de refúgio sejam mantidos fora das fronteiras europeias enquanto seus pedidos são analisados.

Itália

A Itália já inaugurou centros de detenção e repatriação de migrantes forçados na Albânia em 2024, porém a estratégia nunca deslanchou devido a sentenças judiciais que ordenaram que o governo da premiê Giorgia Meloni libertasse os deslocados enviados ao país balcânico.

Essas decisões questionavam justamente a definição de “países seguros” aplicada a Bangladesh, Egito e Tunísia, nações governadas por regimes autoritários ou onde há relatos de perseguições contra minorias.

– É mais um passo na desumanização da política migratória da União Europeia – criticou a eurodeputada verde Melissa Camara, da França. “Os cidadãos esperam que cumpramos nossas promessas em relação à política migratória, e é exatamente isso que estamos fazendo hoje”, rebateu a conservadora Lena Dupont, da Alemanha.

Quase 1 milhão de pessoas solicitaram refúgio na UE no ano passado, e cerca de 440 mil obtiveram proteção.

Edições digital e impressa