Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

OMS desaconselha remédios contra obesidade em crianças

Primeiro guia da OMS contra obesidade infantil diz que menores de 10 anos não devem usar remédios para emagrecer nem fazer bariátrica. Foco deve ser alimentação saudável, atividade física e apoio comportamental.

Quinta, 08 de Outubro de 2026 às 11:20, por: CdB

Primeiro guia da OMS contra obesidade infantil diz que menores de 10 anos não devem usar remédios para emagrecer nem fazer bariátrica. Foco deve ser alimentação saudável, atividade física e apoio comportamental.

Por Redação, com DW – de Genebra

Crianças com menos de 10 anos não devem tomar medicamentos contra a obesidade, injeções para perda de peso nem ser submetidas a cirurgias bariátricas, segundo diretrizes inéditas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tratamentos para crianças com menos de 10 anos devem focar em alimentação saudável

A OMS recomenda para essa faixa etária alimentação saudável, atividade física e acompanhamento comportamental. Essas orientações estão no primeiro guia de enfrentamento à obesidade em crianças e adolescentes, divulgado na quarta-feira.

Segundo as novas diretrizes, algumas tecnologias digitais podem ser úteis, como monitoramento da atividade física e jogos online que incentivem as crianças a se movimentar mais e praticar exercícios.

– A base do tratamento da obesidade em crianças e adolescentes não é o medicamento nem a cirurgia, mas o acesso a um apoio abrangente que permita alimentação saudável, atividade física e mudanças sustentáveis de comportamento – disse Luz María De Regil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS.

Segundo a especialista, não há evidências suficientes sobre os medicamentos da classe GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, para essa faixa etária.

A organização afirma que medicamentos para perda de peso podem ser considerados para crianças e adolescentes de 10 a 19 anos com obesidade, mas apenas após intervenções supervisionadas que não tenham surtido efeito. A cirurgia bariátrica também pode ser considerada para adolescentes com maturidade física e mental que apresentem obesidade grave, após seis meses de tratamento sem sucesso.

A OMS também ressalta a importância de cuidar da saúde mental durante o tratamento da obesidade. Ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades de regulação emocional podem contribuir para hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e isolamento social. Esse ciclo se retroalimenta, e crianças e adolescentes com obesidade podem sofrer estigma e bullying, que prejudicam seu bem-estar emocional.

Em alta

Segundo dados do Unicef, a obesidade superou o baixo peso como o problema mais comum de nutrição entre crianças em idade escolar e adolescentes em todo o mundo.

Em 2024, 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade, incluindo 70 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 100 milhões de adolescentes de 10 a 19 anos. A incidência da obesidade nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.

No Brasil, 15,9% dos menores de 5 anos e 31,7% das crianças entre 5 e 9 anos apresentavam excesso de peso, segundo dados do Ministério da Saúde de 2020 baseados no universo de crianças acompanhadas pelo SUS.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso de canetas emagrecedoras em crianças e adolescentes a partir de 10 anos apenas para o tratamento de diabetes tipo 2, com proibição de uso estético.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico desses medicamentos, que pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos, como déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.

“O uso com finalidade estética também pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal”, alertou a instituição.

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