Novos ataques russos contra a infraestrutura energética da Ucrânia deixaram mortos e centenas de milhares sem eletricidade em Kiev e outras regiões.
Por Redação, com Reuters – de Kiev
Ataques russos atingiram a Ucrânia entre a noite de terça e a madrugada desta quarta-feira, provocando pelo menos seis mortes e danificando instalações de energia. As novas ofensivas em massa deixaram 600 mil pessoas sem eletricidade em diferentes regiões do país.

Em Kiev, três pessoas morreram e vários bairros ficaram sem energia após uma usina elétrica ter sido atingida por um míssil, segundo o prefeito da capital, Vitali Klitschko. Duas mortes também foram registradas na região central de Dnipropetrovsk e outra, em Zaporíjia, no sudeste do país, informaram autoridades regionais.
O presidente Volodymyr Zelensky alegou que a ofensiva à capital aconteceu sem que a Ucrânia tivesse recebido qualquer alerta de seus aliados ocidentais.
“Ataque russo com míssil balístico contra Kiev. Mais uma vez, nenhum aviso prévio de nossos parceiros. O alvo principal era uma infraestrutura energética, mais precisamente a usina térmica número 4. Infelizmente, ela foi atingida”, lamentou Zelensky nas redes sociais.
Nas últimas duas semanas, o exército russo retomou os bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana, provocando cortes significativos de eletricidade e gerando receio de um novo inverno extremamente difícil para a população.
Ocidental
A Ucrânia depende da inteligência militar ocidental, especialmente a norte-americana, para detectar ataques russos e atingir alvos por conta própria. A recente tensão entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gera receio em Kiev de um enfraquecimento desse apoio crucial.
“Nossos sistemas só detectaram esses mísseis quando eles já estavam praticamente chegando a Kiev”, acrescentou Volodymyr Zelensky, descrevendo a usina alvo como uma “instalação energética fundamental para a capital”.
“Não apenas eles (os russos) estão destruindo nossa infraestrutura energética, como a Ucrânia sequer recebe alertas prévios sobre lançamentos de mísseis balísticos”, lamentou o líder ucraniano.
O funcionamento de alguns terminais Starlink parece ter sido restringido durante a noite, declarou Sergiy Beskrestnov, consultor de tecnologia do presidente ucraniano.
“Nossas forças de defesa não foram avisadas sobre essa restrição, o que resultou na interrupção de várias missões. Evidentemente, essa medida não pode ser coincidência e está ligada à situação política atual”, acrescentou Beskrestnov.
Um cenário semelhante já havia ocorrido no dia anterior, reforçando as suspeitas da Ucrânia. Na noite de segunda para terça-feira, os moradores de Kiev ouviram explosões causadas por ataques russos e, somente depois, o acionamento do alerta antiaéreo — um fenômeno que já aconteceu no passado, mas que até então era raro.
Volodymyr Zelensky disse que a Ucrânia não recebeu aviso do Ocidente durante esse ataque. Autoridades ucranianas atribuíram a situação, na terça-feira, ao uso de mísseis de difícil detecção pelo exército russo ou a possíveis “problemas técnicos”.
“Desprezo ostensivo”
Para Zelensky, as ofensivas russas refletem um “desprezo ostensivo” por parte de Moscou em relação aos Estados Unidos, que sugeriram um “cessar-fogo energético” recentemente. Donald Trump havia afirmado ter obtido um acordo de Moscou e Kiev para uma trégua nos bombardeios a infraestruturas energéticas, algo que nenhuma das duas capitais confirmou.
O chefe de Estado ucraniano denunciou no X “uma operação de ataques direcionados com mísseis balísticos russos visando especificamente as infraestruturas energéticas — as mesmas infraestruturas abrangidas pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente norte-americano”.
– Essa operação foi totalmente deliberada e eloquente em sua magnitude; jamais a Rússia havia demonstrado tal desprezo ostensivo pelos Estados Unidos – disparou ele.
Por sua vez, a Rússia anunciou ter abatido 902 drones ucranianos durante a noite. Segundo o prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, “180 drones foram destruídos ao se aproximarem de Moscou”. Os ataques perturbaram fortemente o funcionamento dos aeroportos moscovitas; as operações no aeroporto de Vnukovo foram suspensas por mais de oito horas, de acordo com as autoridades aeroportuárias.