Rio de Janeiro, 09 de Abril de 2026

O antissemitismo já chegou até no bar

Rui Martins analisa o ressurgimento do antissemitismo disfarçado de antissionismo, destacando projetos de lei no Brasil e na França e suas implicações sociais.

Quinta, 09 de Abril de 2026 às 10:49, por: Rui Martins

Durante uma grande parte de minha vida, que é longa, sempre foi a extrema direita a líder do antissemitismo, culminando com a perseguição e massacre de judeus pelos nazistas de Hitler. Uma grande parte da intelligenzia era formada de judeus e os primeiros kibutz em Israel eram socialistas.

Por Rui Martins, editor do Direto da Redação.
O antissemitismo já chegou até no bar | Judeus voltam a ser hostilizados.
Judeus voltam a ser hostilizados.

Ora, nestes últimos anos, vem acontecendo  o inverso, embora não se trate declaradamente de antissemitismo mas ocorra sob a cobertura de antissionismo. Assim, a pretexto de se criticar a estrutura do Estado de Israel e colocar em questão sua própria existência, negando-se aos judeus o direito a um Estado, vem ressurgindo a tendência de se transferir essas críticas aos judeus, inclusive aos que vivem fora e longe de Israel.

É esse amálgama o detonador do fenômeno social atual do antissemitismo, provocando mesmo o surgimento de dois projetos de lei, de certa forma parecidos, um no Brasil pela deputada federal Tábata Amaral, e outro na França, pela deputada Caroline Yadan, causando fortes reações nas redes sociais de esquerda.

Uma petição do partido LFI, de extrema esquerda, França Insubmissa, contra o projeto Yadan, já reuniu mais de 500 mil assinaturas, enquanto no Brasil as redes sociais de esquerda agridem a deputada Tábata Amaral.

Qual a semelhança entre esses dois projetos de lei?  A de enquadrar as novas formas de antissemitismo dissimuladas como antissionismo.

Diante da recrusdescência do antissemitismo, a jornalista Mariliz Pereira Jorge publicou, na Folha de São Paulo, com título sugestivo Antissemitismo gourmet, um texto sobre o aviso colocado à entrada de um bar bastante frequentado no Rio de Janeiro, de que “americanos e israelenses não são bem-vindos”, antecipando, talvez de alguns meses, a proibição da entrada de judeus em outros bares, cafés e restaurantes.

Não estamos ainda na obrigatoriedade da Estrela de Davi amarela, símbolo de segregação dos judeus na Alemanha nazista, mas é preciso se tomar cuidado.

Parece também inapropriado se prever o fim do Estado de Israel antes de completar 100 anos, pois os comentários postados, debaixo dessa profecia publicada no canal Opera Mundi, revelam muitos sentimentos antissemitas extremados, lembrando o slogan “Do rio ao mar” pela destruição de Israel. Não há justificativa para esse tipo de publicidade.

Referências importantes:

O retorno do antissemitismo
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2026/04/antissemitismo-gourmet-a-volta-das-placas-contra-judeus.shtml

Feminista denuncia

Profecia de Breno Altman
opera mundi breno altman israel vi acabar antes de 2048

Antissionismo à esquerda

Projetos de lei de Tábata Amaral e Caroline Yadan
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/04/07/pl-antissemitismo-propoe-definicao-do-termo-no-brasil-e-divide-o-congresso-e-especialistas.ghtml

https://www.lemonde.fr/politique/article/2026/04/08/soutenue-par-la-france-insoumise-la-petition-contre-la-ppl-yadan-depasse-les-500-000-signatures-et-revele-les-clivages-au-sein-du-bloc-central_6678114_823448.html

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

Edições digital e impressa