Rio de Janeiro, 04 de Março de 2026

Macron reforça aliança com Espanha em meio a tensão com EUA

Em meio a ameaças de Trump, Macron expressa solidariedade à Espanha. Saiba mais sobre a defesa da Comissão Europeia e as repercussões políticas.

Quarta, 04 de Março de 2026 às 12:08, por: CdB

Diante das declarações de Trump, a Comissão Europeia saiu em defesa da Espanha, a quarta maior economia da zona do euro.

Por Redação, com RFI – de Paris

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou nesta quarta-feira a “solidariedade” da França ao primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, após as recentes ameaças comerciais de Donald Trump contra a Espanha, que negou o acesso de aeronaves americanas a bases em seu território.

Macron reforça aliança com Espanha em meio a tensão com EUA | Esta combinação de fotos de arquivo, mostra o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez (à esquerda), e o presidente dos EUA, Donald Trump
Esta combinação de fotos de arquivo, mostra o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez (à esquerda), e o presidente dos EUA, Donald Trump

“O presidente acaba de conversar com o primeiro‑ministro Sánchez para transmitir o apoio europeu da França diante das ameaças de coerção econômica dirigidas à Espanha”, informou o Palácio do Eliseu.

Na terça‑feira, o presidente dos Estados Unidos criticou duramente o governo espanhol por impedir o uso de bases militares no sul do país pela aviação norte-americana, no contexto da campanha militar contra o Irã iniciada no sábado.

– A Espanha agiu de forma terrível – declarou Trump, ameaçando “encerrar” as relações comerciais entre os dois países.

O impasse envolve as bases de Rota (naval) e Morón (aérea), cujo uso é regulamentado por um acordo de 1953 firmado entre Washington e Madri, ainda durante a ditadura de Francisco Franco.

Diante das declarações de Trump, a Comissão Europeia saiu em defesa da Espanha, a quarta maior economia da zona do euro, afirmando, em comunicado, estar “pronta para reagir” e “defender seus interesses”.

“Não será cúmplice”

Em discurso nesta quarta‑feira, Pedro Sánchez afirmou que seu país “não será cúmplice” dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã “por medo de represálias de alguns”, numa referência direta ao líder americano.

O premiê também criticou a falta de clareza nos objetivos militares de Washington e Tel Aviv contra Teerã, classificando como “inaceitável” o uso da “cortina de fumaça da guerra para encobrir fracassos internos”.

Desde sábado, a Espanha vem pedindo a cessação das hostilidades e uma solução diplomática para o conflito, postura que contrasta com o tom mais cauteloso adotado por Paris, Londres e Berlim nos últimos dias.

Há meses, Trump intensifica ataques verbais contra Sánchez, desde que Madri rejeitou elevar seus gastos militares a 5% do PIB, conforme a nova meta defendida pela Otan.

“Não à guerra”

Dentro da Espanha, a firmeza de Sánchez é vista por alguns analistas políticos como uma tentativa de mobilizar sua base eleitoral em torno de um tema que tradicionalmente une a esquerda espanhola.

O momento político do premiê é delicado: derrotas em eleições regionais, investigações envolvendo aliados próximos e denúncias de assédio sexual dentro do Partidos Socialista Espanhol (PSOE) fragilizam o governo a um ano das próximas eleições gerais.

Nesta quarta‑feira, o líder do Partido Popular (direita), Alberto Núñez Feijóo, pediu a Trump que “respeite” a Espanha, ao mesmo tempo em que acusou Sánchez de usar a política externa para fins “partidários”.

Até o jornal El País, alinhado historicamente à esquerda, alertou o premiê na edição desta manhã, antes de seu discurso, sugerindo que evitasse “a tentação de explorar a forte rejeição a Trump na sociedade espanhola para obter ganhos políticos”.

O lema pacifista “Não à guerra” remete aos protestos de 2003 contra a intervenção dos EUA no Iraque, então apoiada pelo governo de direita de José María Aznar. As tropas espanholas chegaram a participar temporariamente da operação.

Meses depois, em 11 de março de 2004, ataques jihadistas em quatro trens de Madri deixaram 192 mortos. O atentado foi amplamente interpretado como represália à participação espanhola na guerra e contribuiu para a vitória eleitoral da esquerda três dias depois.

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