Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Lula abre canal de diálogo com empresariado, sobre o ‘tarifaço’

As determinações contidas na Lei de Reciprocidade gera apreensão no empresariado nacional, que teme um endurecimento de decisões protecionistas do governo do presidente norte-americano Donald Trump.

Segunda, 17 de Agosto de 2026 às 20:39, por: CdB

As determinações contidas na Lei de Reciprocidade gera apreensão no empresariado nacional, que teme um endurecimento de decisões protecionistas do governo do presidente norte-americano Donald Trump.

Por Redação – de Brasília

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, reuniu-se, nesta segunda-feira, com representantes da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). A iniciativa busca ouvir as principais preocupações de empresários brasileiros e norte-americanos em relação a possíveis medidas de reciprocidade acionadas a partir do procedimento instaurado na última quinta-feira. A rodada de conversas com o setor produtivo tem, na pauta, as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao longo dos últimos meses.

Marcio Elias Rosa
O ministro Márcio Elias Rosa negocia com os empresários, sobre o ‘tarifaço’

As determinações contidas na Lei de Reciprocidade gera apreensão no empresariado nacional, que teme um endurecimento de decisões protecionistas do governo do presidente norte-americano Donald Trump. O Palácio do Planalto, no entanto, avalia que a medida garante um instrumento estratégico e indispensável de pressão para as complexas negociações com a Casa Branca.

Na última sexta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a posição do Executivo ao afirmar que todo o procedimento será conduzido com “muita cautela e muita responsabilidade”.

 

Alíquotas

Segundo o ministro Elias Rosa, o foco das negociações não é a reversão integral das alíquotas impostas de 25% e 12,5% sobre diversos produtos brasileiros exportados, mas a ampliação da lista de produtos isentos. Segundo dados levantados pelo ministério, 47,3% da pauta total de exportações do Brasil para os Estados Unidos está sob o impacto direto de alguma tarifa da gestão Trump.

O ministro enfatizou que o início da análise de reciprocidade não implica a adoção imediata ou definitiva de sanções ou retaliações comerciais. Trata-se de um rito ordinário longo e complexo. A primeira fase formal envolve a consulta direta aos EUA, realizada após a distribuição do pleito aos integrantes do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Em seguida, a Camex tem até 30 dias — prorrogáveis por mais 30 — para analisar a adesão ao pedido, nos termos da Lei de Reciprocidade, em uma de suas reuniões ordinárias, programadas geralmente para a última semana de cada mês. Caso haja o enquadramento, um grupo de trabalho específico será constituído para mapear e formular propostas de contramedidas. Embora o setor privado tenha participação formal prevista a partir deste ponto, a intenção do governo é manter um diálogo contínuo desde o início com as instituições comerciais.

 

Retaliações

Uma vez elaboradas, as propostas do grupo de trabalho serão levadas à consulta pública por até 30 dias, para recolher manifestações de partes interessadas e de parceiros empresariais atingidos pelas medidas. O processo culmina na deliberação conjunta do Comitê-Executivo de Gestão e do Conselho Estratégico da Camex, que terá até 120 dias (60 dias prorrogáveis por igual período) para acionar a aplicação de retaliações definitivas.

O Executivo adianta, ainda, que a aplicação das sanções poderá ser adiada a qualquer momento, conforme o avanço do diálogo diplomático entre Brasília e Washington, cabendo ao comitê-executivo da Camex propor revisões ou suspensões das sanções.

Edições digital e impressa