Questionado por jornalistas a bordo do avião papal sobre a possibilidade de aplicar a tradicional teoria da “guerra justa” ao caso iraniano, o pontífice afirmou que esse conceito pertence a um contexto histórico muito diferente do atual.
Por Redação, com Ansa – de Madri
O papa Leão XIV chegou a Madri neste sábado para uma visita apostólica de uma semana à Espanha — a primeira de um pontífice ao país desde 2010 — e afirmou que o conflito envolvendo o Irã não pode ser considerado uma guerra justa e defendeu a retomada de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.

Questionado por jornalistas a bordo do avião papal sobre a possibilidade de aplicar a tradicional teoria da “guerra justa” ao caso iraniano, o pontífice afirmou que esse conceito pertence a um contexto histórico muito diferente do atual.
— Acho que já foi dito com bastante clareza: não há guerra justa lá. O problema é que a teoria da guerra justa vem de séculos passados, quando as pessoas nem sequer conseguiam imaginar as armas e a capacidade de destruição que o homem tem hoje — declarou.
Encíclica
Segundo o pontífice, a reflexão sobre o tema está presente em sua recente encíclica Magnifica Humanitas. A questão foi levantada após referências feitas pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, ao conceito de guerra justa para justificar ações militares norte-americanas contra Teerã.
Sobre a guerra na Ucrânia, o Papa reiterou a necessidade de intensificar os esforços diplomáticos.
— Também devemos promover a negociação. Pelo menos algum esforço estava sendo feito, mas realmente devemos pressionar pelo diálogo para acabar com a violência e a guerra — afirmou, ao comentar as tentativas frustradas de diálogo entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o líder russo, Vladimir Putin.
Solução
Demonstrando preocupação com o prolongamento do conflito, o Santo Padre destacou o agravamento da situação.
— Estou preocupado com a Ucrânia. A situação está piorando a cada dia — acrescentou.
Agora, até mesmo nos Estados Unidos, algumas pessoas querem dar seu apoio. Já se passaram quatro anos e meio. Precisamos encontrar uma solução”.
Na chegada, ele foi recebido pelo rei Felipe VI, pela rainha Letizia e pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez; além de diversas autoridades do governo espanhol. Desde as primeiras horas da manhã, centenas de fiéis e peregrinos se concentravam nos arredores da Catedral da Almudena e do Palácio Real para acompanhar as primeiras agendas públicas da visita papal.