A aeronave havia decolado de Austin, no Texas, às 9h36 do horário local (12h36 em Brasília), com destino às Bahamas e caiu às 12h50 (16h50 em Brasília), em uma área residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach, na Flórida.
Por Redação, com agências internacionais – de Miami (FL-EUA)
No áudio da comunicação entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo de Miami (Flórida, EUA) registrou os momentos que antecederam a queda de um Learjet 60. Na gravação, uma voz feminina relata problemas com gelo e turbulência durante o voo. Pouco depois, declara emergência e informa que o avião estava perdendo altitude muito rapidamente.

— Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto — alerta a copilota, Nathalia Gadelha Filgueiras, uma jovem de 20 anos, filha de brasileiros, aficcionada por aeronáutica.
Logo em seguida, a piloto informou que o avião estava em uma condição de velocidade excessiva e que a aeronave caía 20 mil pés (6 km) por minuto. Em seguida, veio uma das falas mais dramáticas da gravação:
— Vamos bater no chão”.
Em outro trecho, a piloto grita:
— Olhe lá fora, Jack, olhe lá fora! Estamos sem tempo”.
A aeronave havia decolado de Austin, no Texas, às 9h36 do horário local (12h36 em Brasília), com destino às Bahamas e caiu às 12h50 (16h50 em Brasília), em uma área residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach, na Flórida. Não houve sobreviventes.
Gelo e turbulência
As causas da queda ainda são alvo de investigações por parte do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA). Especialistas apontam que a formação de gelo e a turbulência podem ter contribuído para a tragédia, mas ressaltam que ainda não há uma conclusão sobre o que provocou a queda.
Nathalia Filgueiras teve sua identidade confirmada, nesta segunda-feira, por familiares. Jovem prodígio, a aeronauta ganhou destaque na imprensa norte-americana em 2023, quando conquistou sua licença de piloto particular aos 17 anos, antes mesmo de obter a habilitação para dirigir.
Na época, ela cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida, e foi entrevistada pela emissora americana CBS12 News sobre sua trajetória na aviação.
Aviação
Enquanto outros adolescentes de sua idade praticavam esportes ou aproveitavam os fins de semana com amigos, a estudante aplicada dedicava boa parte do tempo a pilotar aviões.
— Eu até me gabo disso, porque as pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘É, mas sei pilotar’ — relatou à emissora.
O interesse pela aviação começou cedo. Segundo a reportagem, Nathalia iniciou seus estudos teóricos sobre pilotagem em 2020, quando estava prestes a entrar no segundo ano do ensino médio.
Comando
A jovem também foi influenciada pelo pai, que havia começado a pilotar por lazer em 2018 e compartilhava seus conhecimentos sobre aviação com a filha. Segundo Filgueiras, seu objetivo profissional era se tornar piloto de uma companhia aérea comercial ou trabalhar na aviação executiva, pilotando jatos particulares.
Nas redes sociais, ela também compartilhava conquistas profissionais e registros de sua rotina na aviação. Em uma das mensagens, ela aparece na cabine de comando de uma aeronave, segurando um documento.
“Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”, escreveu ao comemorar a conquista.