Comitê central do partido comunista elevou Kim Yo-jong, irmã do ditador Kim Jong-un, para alto posto político na organização.
Por Redação, com DW – de Pyongyang
Kim Yo-jong, influente irmã do líder norte-coreano, foi promovida nas fileiras do partido comunista do país durante o congresso quinquenal da organização, informou nesta terça-feira á agência norte-coreana de notícias KCNA .

O Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia elevou a influente irmã do ditador Kim Jong-un, anteriormente vice-diretora de Propaganda e Agitação, ao cargo de diretora do departamento na última segunda-feira, segundo a KCNA. Ela também foi reintegrada como membro “suplente” do Politburo do Comitê Central do partido governante, após ser destituição em 2021.
Kim Yo-jong criticou recentemente a Coreia do Sul por incursões de drones em território norte-coreano, chegando a alertar para uma “resposta severa” caso incidentes semelhantes ocorram. No entanto, na última quinta-feira, ela elogiou o reconhecimento de Seul de que três civis enviaram drones para a Coreia do Norte em quatro ocasiões distintas.
No domingo, o próprio Kim Jong-un foi oficialmente reeleito para o cargo supremo de secretário-geral por unanimidade durante uma votação cuidadosamente coreografada pelo regime.
Congresso
Cerca de 7 mil pessoas, incluindo delegados e observadores, participam do mais alto fórum decisório do regime norte-coreano. O congresso anterior, em 2021, durou oito dias e terminou com um compromisso de fortalecer as capacidades nucleares.
O congresso, que ocorre a cada cinco anos, orienta a ação do Estado em todas as áreas, da diplomacia ao planejamento de guerra e servirá para definir o roteiro das futuras políticas e capacidades de defesa do regime, e grande parte da atenção internacional está voltada para a postura que adotará em relação a Seul e Washington, em meio ao fortalecimento dos laços militares com a Rússia.
Espera-se também que Pyongyang anuncie a próxima fase do programa de armas nucleares da Coreia do Norte e o fortalecimento geral de suas Forças Armadas. Como nos anos anteriores, o regime deverá exibir seu poderio militar em um desfile ao final do congresso.
Imagens de satélite divulgadas no início deste mês mostraram um aparente ensaio para um desfile militar que acompanhará o congresso, segundo relatos da mídia.
A reunião oferece um raro vislumbre do funcionamento político da isolada Coreia do Norte e é amplamente vista como um fórum para Kim demonstrar seu firme controle do poder.
Não está claro quanto tempo durarão os trabalhos do Congresso atual. As duas edições anteriores duraram quatro e oito dias, respectivamente.
Existe grande interesse em saber se o congresso também poderá promover outra mulher próxima ao líder Kim Jong-un: sua filha adolescente, Ju-ae. Até o momento, entretanto, não há indícios de que ela esteja envolvida no evento.
Nos últimos meses, crescem as especulações entre analistas e pela agência de espionagem da Coreia do Sul de que ela está sendo preparada para suceder seu pai como líder, naquilo que seria a quarta geração de líderes da família Kim desde a fundação da Coreia do Norte por Kim Il-sung em 1948.
Ditador norte-coreano
Kim Yo-jong tem sido, há muito tempo, uma das assessoras mais próximas de seu irmão e uma das mulheres mais influentes do regime norte-coreano.
Nascida no final da década de 1980, segundo o governo sul-coreano, ela é uma dos três filhos do pai e antecessor de Kim, Kim Jong-Il, com sua terceira parceira conhecida, a ex-dançarina Ko Yong-hui.
Ela foi educada na Suíça junto com seu irmão e ascendeu rapidamente na hierarquia do governo após ele assumir o poder com a morte de seu pai em 2011. Em 2018, ela visitou a Coreia do Sul para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang durante um período de reaproximação intercoreana.
Pyongyang também usa frequentemente seu nome para emitir declarações nas quais a Coreia do Norte expõe suas posições ou critica a Coreia do Sul e os Estados Unidos.