Rio de Janeiro, 24 de Julho de 2026

Investigações da PF sobre o filme ‘Dark Horse’ se aprofundam

O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), sob a relatoria do ministro André...

Sexta, 24 de Julho de 2026 às 22:57, por: CdB

O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Por Redação – de Brasília

A Polícia Federal (PF), que apura um esquema gigantesco de lavagem de dinheiro e tráfico de influência com recursos desviados de uma empresa ligada ao liquidado Banco Master, aprofunda as investigações sobre o financiamento de uma produção audiovisual comandada pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e seu irmão, Eduardo, que se encontra foragido da Justiça em algum lugar dos Estados Unidos.

O PGR, Paulo Gonet, concordou com a abertura do inquérito sobre o filme Dark Horse

O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), sob a relatoria do ministro André Mendonça. Parlamentares e juristas têm externado a condução independente adotada pelo magistrado, indicado ao STF justamente por Jair Bolsonaro (PL), cuja vida política é retratada no longa sob suspeição.

Dados do inquérito vazados para a mídia conservadora indicam que a PF apura o destino de mais de R$ 61 milhões que teriam sido retirados de uma empresa ligada ao Banco Master e transferidos para a produção do filme ‘Dark Horse’. Os investigadores tentam identificar se os recursos tiveram origem em operações fraudulentas e como foram utilizados ao longo de uma complexa estrutura financeira que teria envolvido empresas no Brasil e nos EUA.

Despesas

Entre as linhas de investigação em curso está a possibilidade de que parte do dinheiro tenha financiado despesas pessoais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ou filho ’03’ como também é conhecido, ao longo de sua permanência nos Estados Unidos, garantidas agora por um ‘green card’, a permissão oficial do governo norte-americano.

A movimentação financeira sob análise teriam saído de uma empresa brasileira, passado por um fundo de investimentos sediado no Estado norte-americano do Texas, controlado por um advogado próximo a ’03′ e retornado posteriormente ao Brasil, onde uma fração dos recursos garantiu os serviços da produtora cinematográfica Go Up Entertainment. A empresa é administrada por Karina Ferreira Gama e assina o filme ‘Dark Horse’.

Tamanha movimentação de tantos milhões de dólares chamou a atenção dos agentes federais. Conforme apurou a jornalista Raquel Landim em sua coluna no diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, um áudio divulgado anteriormente mostra o senador solicitando ao empresário Daniel Vorcaro que viabilizasse o financiamento do filme, colocando-se como avalista político da operação.

 

Diligências

Uma vez confirmadas as irregularidades apontadas na gestão dos recursos, os fatos poderão desmentir a versão apresentada por Flávio Bolsonaro, de que as tratativas tinham caráter exclusivamente privado e sem relação com eventual esquema ilícito.

Ao aceitar o pedido de investigação feito pela PF à Procuradoria-Geral da República (PGR) e aceito pelo Supremo, as próximas medidas investigativas tendem a perseguir os principais suspeitos, entre eles o agora candidato do PL ao Planalto.

Em linha com os procedimentos normais, o avanço das apurações poderá envolver pedidos de cooperação jurídica internacional, especialmente junto às autoridades norte-americanas; além de possíveis quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático de todos os suspeitos.

Pesquisas

As medidas a serem tomadas dependem de autorização do ministro André Mendonça, em um momento delicado para os bolsonaristas, às vésperas das eleições presidenciais. O quadro de dificuldades políticas para Flávio Bolsonaro, portanto, agrava-se e já se reflete nas sucessivas quedas nas pesquisas eleitorais.

O inquérito em curso também atinge o publicitário Thiago Miranda, que já é investigado sob a acusação de coordenar ataques ao Banco Central (BC) a mando do ex-banqueiro. Miranda admitiu ter intermediado as negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Alvo de uma operação da PF há duas semanas, o publicitário teve o passaporte apreendido.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou a prática de qualquer ilegalidade, e ressalta que a existência de uma investigação não permite a antecipação de culpa.

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