Esta é a sétima noite consecutiva de violência na comunidade, que tem sido palco de disputas por território entre facções criminosas e milicianos.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Uma casa em Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio, foi atingida por uma granada lançada por um drone durante mais uma madrugada de confrontos na comunidade. O explosivo caiu sobre o imóvel e causou danos na estrutura, principalmente no telhado. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

– Às 3h13, jogaram uma granada sobre a minha casa, no Areal, em Rio das Pedras. Graças a Deus ninguém se feriu. Até quando moradores inocentes vão sofrer com essa violência? Até quando crianças, famílias e moradores inocentes vão correr risco dentro das próprias casas? – desabafou a dona do local.
Esta é a sétima noite consecutiva de violência na comunidade, que tem sido palco de disputas por território entre facções criminosas e milicianos.
Traficantes do Comando Vermelho (CV) tentam avançar sobre a região, dominada por grupos milicianos.
Confronto
Os tiros se concentraram na região conhecida como Areal, uma área de mata que funciona como um dos acessos à comunidade.
De acordo com informações apuradas pela polícia, traficantes tentaram entrar por esse trecho, mas encontraram resistência de homens armados ligados à milícia.
Equipes do 18º BPM (Jacarepaguá), com apoio do Bope, do Batalhão de Choque e do Batalhão de Ações com Cães (BAC), realizam patrulhamento e bloqueios nos principais acessos à comunidade.
“O policiamento segue reforçado na localidade e entorno e conta com apoio de unidades especiais da corporação”, diz a nota.
Segundo a polícia, criminosos da Gardênia Azul e da Muzema estariam recebendo apoio de traficantes do Complexo da Penha para ampliar a ofensiva contra Rio das Pedras.
Armas
Uma investigação da Polícia Federal revelou detalhes de um suposto esquema internacional de fornecimento de armas para o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país. Conversas interceptadas com autorização judicial apontam que o traficante Arnaldo Ribeiro, preso nesta semana no Suriname, mantinha contato direto com integrantes da cúpula da organização criminosa para negociar a venda de fuzis.
De acordo com a PF, as mensagens e áudios obtidos durante a investigação mostram tratativas envolvendo altos valores e pagamentos por transferências bancárias. Entre os interlocutores estariam Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, e Rosemberg Gomes, o Berg, identificado pelos investigadores como tesoureiro da facção.
Em uma das conversas analisadas pela Polícia Federal, criminosos discutem o envio de recursos para a compra de armamentos. Segundo os investigadores, um pagamento inicial de R$ 150 mil teria sido destinado à aquisição de um lote de armas.
As interceptações também revelam preocupações dos envolvidos com limites bancários e a conclusão das transferências financeiras. Em outra frente da investigação, vídeos apreendidos mostram diversos fuzis alinhados e sendo apresentados para possíveis compradores. A PF afirma que as imagens teriam sido gravadas pelo próprio Arnaldo Ribeiro.
AK-47
Segundo a apuração policial, o Comando Vermelho teria encomendado pelo menos dez fuzis do tipo AK-47. Em vídeos compartilhados entre os investigados, aparecem comparações entre diferentes modelos de armamentos, com destaque para características técnicas, acabamento e acessórios.
Para a Polícia Federal, esse material foi fundamental para comprovar a ligação entre o fornecedor de armas e integrantes da estrutura de comando da facção.
Arnaldo Ribeiro foi localizado e preso em uma mansão na cidade de Paramaribo, capital do Suriname. A investigação aponta que ele teria movimentado mais de R$ 150 milhões por meio do esquema de tráfico internacional de armas.
A esposa dele, Denise Moura, também foi presa. Segundo a PF, ela atuava na logística e na movimentação financeira da organização, sendo responsável por transações que ultrapassariam R$ 26 milhões.
Após a prisão, o casal foi extraditado para o Brasil e recebeu voz de prisão ao desembarcar no Aeroporto de Belém, no Pará.
Foragidos
A operação também resultou no cumprimento de outros mandados de prisão contra suspeitos de participação no esquema financeiro e de intermediação das negociações de armas.
Apesar do avanço das investigações, Doca não foi localizado e continua foragido. Conforme a Polícia Federal, ele possui cerca de 270 anotações criminais e mais de 30 mandados de prisão em aberto. Outras oito pessoas investigadas também seguem sendo procuradas pelas autoridades.