Rio de Janeiro, 24 de Setembro de 2026

Fumaça das queimadas faz poluição disparar em Manaus

Fumaça tem sido constante na capital do Amazonas, com dispersão dificultada pelo pouco vento provocado pelo El Niño.

Quinta, 24 de Setembro de 2026 às 10:43, por: CdB

Fumaça tem sido constante na capital do Amazonas, com dispersão dificultada pelo pouco vento provocado pelo El Niño.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

Com as queimadas crescendo em setembro, Manaus registrou uma média de poluição do ar duas vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), chegando nesta quarta-feira a registrar picos dez vezes maior que o aceitável à saúde humana, segundo pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Região de floresta próxima a Manaus com foco de queimada ocorrida na terça

Em setembro, sensores da RedeAr apontaram uma média acima de 30 µg/m³ (microgramas por metro cúbico). Nesta quarta, houve picos acima de 160 µg/m³. A OMS estipula um limite anual de 5 µg/m³ (microgramas por metro cúbico) e de 15 µg/m³ de média diária. Os maiores focos de poluição estão próximos ao Encontro das Águas, local onde os leitos dos rios Negro e Solimões se unem para formar o rio Amazonas, e ao longo da rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RN).

– A região metropolitana de Manaus registra, nos últimos dias, uma alta significativa no número de focos de calor. O avanço do fogo se estende por pontos estratégicos da região, com forte concentração ao longo do Rio Amazonas, principalmente nas proximidades do Encontro das Águas, e ao longo do eixo da rodovia BR-319. A consequência direta desse cenário é a formação de volumosas colunas de fumaça – explica Newton Monteiro, analista de pesquisa do Ipam.

El Niño

A demora para que o material se espalhe tem aumentado por causa dos efeitos do El Niño, que enfraquece os ventos da região. “Em condições normais, os ventos predominantes na região tendem a dispersar a fumaça das queimadas para oeste, em direção ao Peru. No entanto, o atual episódio de El Niño, em curso e em fortalecimento desde meados de 2026, tem alterado esse padrão de circulação atmosférica, favorecendo o transporte da fuligem diretamente para Manaus e para os municípios vizinhos, o que resulta na degradação da qualidade do ar em toda a zona metropolitana”, completa Newton.

Em 2025, o Amazonas registrou 67 dias acima do limite de 15 µg/m³ e uma média anual de 10,67 µg/m³.

As queimadas produzem uma série de poluentes tóxicos, como o monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, carbono negro, carbono marrom e precursores de ozônio, mas a principal ameaça à saúde pública é o material particulado menor que 2,5 micrômetros de diâmetro, conhecido como PM2,5, que, quando inalado, penetra no pulmão e na corrente sanguínea, permanecendo no corpo por meses após a exposição.

Entre os sintomas dessa exposição estão irritação nos olhos, nariz, garganta e pulmões; tosse; inflamação pulmonar, bronquite e insuficiência cardíaca. Segundo a OMS, a exposição ao PM2,5 está relacionada a 4,2 milhões de mortes por ano no mundo.

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