Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

França cobra dos responsáveis custos de danos em protestos

A decisão é tomada no momento em que ocorrem protestos estudantis em todo o país, com cerca de 500 escolas total ou parcialmente fechadas.

Segunda, 05 de Outubro de 2026 às 10:48, por: CdB

A decisão é tomada no momento em que ocorrem protestos estudantis em todo o país, com cerca de 500 escolas total ou parcialmente fechadas.

Por Redação, com Lusa – de Paris

O governo francês vai apresentar ao Senado um projeto de lei que obriga os responsáveis pelos danos causados durante os protestos a suportar os custos das reparações, informou, nesta segunda-feira, a porta-voz do Executivo, Maud Bregeon.

Devido aos danos, cerca de 500 escolas estão fechadas

A decisão é tomada no momento em que ocorrem protestos estudantis em todo o país, com cerca de 500 escolas total ou parcialmente fechadas.

A iniciativa, conhecida na França como “casseurs-payeurs” – que em português livre pode ser traduzida por “quem parte, paga” – visa evitar que os contribuintes suportem os custos dos danos causados por uma minoria durante os incidentes violentos, segundo a porta-voz.

Em entrevista à Rádio Europe 1 e à estação CNEWS, Maud Bregeon afirmou que a prioridade do governo é repor a ordem diante da violência e destruição observadas durante os protestos da última semana.

A porta-voz disse que as reivindicações dos estudantes são legítimas, distanciando-as dos episódios violentos que acompanharam as manifestações e que provocaram dezenas de milhões de euros de danos em edifícios e mobiliário urbano.

O projeto de lei estipula que os responsáveis pelas infrações pagarão integralmente as multas e indenizações causadas.

Bregeon adiantou que o governo francês considera utilizar benefícios sociais, incluindo o subsídio de alojamento, para recuperar os valores devidos.

A proposta inclui também o estabelecimento de uma responsabilidade partilhada para aqueles que permanecem numa manifestação violenta após a polícia ter ordenado sua dispersão.

O ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, afirmou hoje que teme uma crise nacional do movimento estudantil do ensino secundário e superior antes do dia de manifestações previsto para esta terça-feira.

– Sim, temo que sim, obviamente – respondeu o ministro quando questionado sobre esta possibilidade, dado que o movimento desde a semana passada tem sido caracterizado por numerosos atos de violência e detenções.

Escolas

Entre 400 e 500 escolas secundárias na França vão manter as aulas total ou parcialmente suspensas nesta segunda-feira por motivos de segurança, segundo estimativa divulgada nesse domingo pelo Ministério da Educação francês.

Os protestos começaram há vários dias devido a reivindicações relacionadas à falta de professores substitutos, o estado dos edifícios escolares e as condições de ensino, e foram acompanhados por bloqueios, incêndios, danos materiais e confrontos com as forças de segurança.

Segundo as autoridades, 24 escolas foram incendiadas ou saqueadas desde o início das manifestações, e 78 profissionais de educação ficaram feridos.

O governo estima que cerca de 5 mil tenham sido detidas desde a segunda-feira passada.

Para tentar conter a mobilização, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou, no domingo à noite, um plano de ação com cinco áreas prioritárias e pediu aos seus ministros que apresentem medidas, até o final do mês, que atendam às reivindicações dos estudantes.

O plano inclui garantir a continuidade das aulas, melhorar as instalações escolares, lidar com ausências prolongadas de professores e tornar os processos de admissão nas universidades mais transparentes.

Lecornu, que tem reunião marcada para terça-feira com os presidentes das regiões francesas para discutir a renovação das instalações educativas, observou que o orçamento de 2027 inclui um aumento de 1,2 mil milhão de euros para o Ministério da Educação.

Os sindicatos de estudantes convocaram uma intensificação dos protestos a partir de amanhã, dia em que convocaram manifestações com o apoio de alguns sindicatos gerais e organizações de professores.

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