Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2026

Ford Maverick Tremor amplia usos da picape no Brasil


Segunda, 24 de Agosto de 2026 às 22:18, por: Sérgio Dias

Modelo equipado com motorização com 253 cavalos de potência combina conforto de SUV, caçamba de 943 litros e recursos off-road para atender diferentes formas de uso do automóvel

Por Sérgio Dias – de São Paulo

O mercado brasileiro de picapes passou a oferecer alternativas que modificaram a divisão tradicional entre automóveis destinados ao transporte de passageiros e veículos associados ao trabalho. A Ford Maverick Tremor ajuda a compreender esse movimento ao reunir cabine para cinco ocupantes, comportamento próximo ao de um SUV, caçamba e recursos para circulação fora do asfalto. Na versão que avaliei, o conjunto utiliza motor 2.0 Turbo EcoBoost GTDi a gasolina de 253 cv e 380 Nm, transmissão automática de oito velocidades e tração 4WD.

Ford Maverick Tremor amplia usos da picape no Brasil

Essa combinação coloca a Maverick em um nicho específico do mercado nacional. Ram Rampage, principalmente nas configurações Rebel, Laramie e R/T, e Fiat Toro Ranch e Ultra estão entre as alternativas para consumidores que procuram uma picape intermediária capaz de conciliar deslocamentos cotidianos e transporte de carga. Mais do que uma disputa baseada apenas em dimensões ou potência, esses modelos mostram como as picapes passaram a ocupar funções antes concentradas nos SUVs.

A Maverick Tremor acrescenta a essa proposta recursos destinados a diferentes condições de terreno. São 5,096 metros de comprimento, 3,075 metros de entre-eixos, caçamba com 943 litros e capacidade para transportar até 550 quilos. A versão utiliza pneus 235/65 R17 AT+, suspensão específica, proteção inferior off-road e seis modos de condução: Normal, Escorregadio, Eco, Off-Road, Esportivo e Rebocar/Transportar. Trail Control, câmera 360 graus e sete airbags também integram o conjunto.

 

Cidade e trabalho

Minha avaliação começou justamente onde muitas picapes passaram a ocupar espaço nos últimos anos: a cidade. Usei a Maverick Tremor nas atividades cotidianas em São Paulo antes de ampliar o percurso por rodovias e cidades do interior paulista. Passei por Atibaia, Campinas e Itatiba, segui até Campos do Jordão e também fui ao litoral, em Ubatuba. Essa combinação permitiu observar o veículo em trânsito urbano, estrada, serra e deslocamentos de maior duração.

Caçamba com 943 litros tem capacidade para transportar até 550 quilos

Em São Paulo, uma das características que mais me chamou a atenção foi a proximidade da experiência de condução com aquela encontrada em um SUV. Cabine, posição ao volante e comportamento da suspensão contribuem para essa percepção. Há, evidentemente, uma contrapartida: com mais de cinco metros de comprimento, a Maverick exige atenção em garagens, estacionamentos e ruas com espaço reduzido. Câmera 360 graus e sensores tornam essas situações mais fáceis de administrar.

Foi também na rotina que encontrei uma demonstração simples da razão pela qual alguém pode optar por uma picape. Precisei levar alguns objetos a um ecoponto e utilizei a caçamba para transportá-los. Os 943 litros permitiram manter a carga separada dos ocupantes, algo que em um SUV poderia exigir rebatimento dos bancos ou reorganização da cabine. O compartimento oferece ainda oito pontos de fixação, protetor, capota marítima, tomada de 110V e travamento elétrico.

 

Além dos centros

Quando deixei a capital em direção ao interior, o motor EcoBoost de 253 cv passou a cumprir outra função. Seus 380 Nm auxiliam principalmente nas retomadas e ultrapassagens, enquanto a transmissão automática de oito velocidades administra as mudanças sem exigir intervenções constantes. Nos deslocamentos por Atibaia, Campinas e Itatiba, alternei trechos de velocidade de cruzeiro com rodovias de maior movimento e situações nas quais era necessário reduzir e recuperar velocidade.

A central SYNC 4 tem tela de 13,2 polegadas e oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio

O caminho até Campos do Jordão acrescentou relevo e curvas à avaliação. Nesse cenário, posição de condução, motor e tração 4WD trabalham conjuntamente para permitir ao motorista administrar as mudanças de ritmo. A suspensão específica da Tremor, o modo Off-Road, o controle de descidas e o Trail Control ampliam as possibilidades quando termina o pavimento. São recursos que diferenciam tecnicamente a versão, e não apenas elementos destinados a modificar sua aparência.

A viagem até Ubatuba completou essa experiência com rodovias, serra e circulação urbana no destino. Permanecer mais tempo ao volante reforçou uma característica que considero central na Maverick: ela permite utilizar uma picape sem necessariamente conviver com o comportamento de um veículo concebido prioritariamente para carga. Para quem precisa da caçamba em determinados momentos, mas passa boa parte da semana utilizando o automóvel como meio de transporte pessoal, essa combinação passa a ter importância.

 

Tecnologia no cotidiano

A cabine acompanha essa mudança de utilização das picapes. A central SYNC 4 tem tela de 13,2 polegadas e oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Há painel digital de oito polegadas, ar-condicionado automático de duas zonas, bancos dianteiros aquecidos, ajuste elétrico para o motorista e compartimento de 73 litros sob o banco traseiro. São soluções voltadas menos à imagem tradicional de um veículo de trabalho e mais à convivência diária de seus ocupantes.

O mesmo acontece com a segurança. A Maverick Tremor reúne sete airbags, piloto automático adaptativo com Stop & Go, assistente de permanência e centralização em faixa, monitoramento de ponto cego e frenagem automática de emergência. Recursos desse tipo mostram como a evolução das picapes intermediárias acompanha uma transformação mais ampla do automóvel, com tecnologias de assistência deixando de ficar concentradas em sedãs e SUVs.

Nesse contexto, a Maverick Tremor representa também uma mudança na própria definição de utilidade. Capacidade de carga continua sendo importante — são até 550 quilos —, mas ela passa a conviver com conforto, conectividade, sistemas de assistência e desempenho rodoviário. A picape deixa de responder somente à pergunta sobre quanto consegue transportar e passa a disputar consumidores interessados em saber como ela se comporta durante os demais momentos da semana.

 

Uso define escolha

Ao concluir a avaliação da Ford Maverick Tremor, três pontos ficaram em evidência para mim. O primeiro é o comportamento próximo ao de um SUV, que facilita a convivência cotidiana. O segundo é o conjunto formado pelo EcoBoost de 253 cv, transmissão automática de oito velocidades e tração 4WD. O terceiro é a capacidade de transporte proporcionada pelos 943 litros da caçamba e pelos 550 quilos de carga, algo que pude utilizar até em uma tarefa comum como levar objetos a um ecoponto.

Como aspecto que pode ser melhorado, considero que as dimensões exigem atenção em estacionamentos e espaços urbanos menores. Não se trata de uma particularidade da Maverick, mas de uma questão que o consumidor precisa considerar ao escolher uma picape. Minha experiência entre São Paulo, interior, serra e litoral mostrou que a Tremor faz mais sentido quando sua capacidade de carga e seus recursos adicionais serão efetivamente utilizados.

Essa talvez seja a principal diferença entre escolher uma picape desse tipo e simplesmente optar por um SUV. Quem raramente utiliza a caçamba pode encontrar alternativas mais adequadas para a rotina urbana. Para quem precisa transportar objetos, enfrenta diferentes tipos de terreno e ainda deseja utilizar o mesmo veículo em viagens e atividades cotidianas, a Maverick Tremor apresenta outra possibilidade. Foi justamente alternando esses usos que compreendi melhor o espaço que ela procura ocupar no mercado brasileiro.

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