Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

Ex-presidente do Kosovo pega 25 anos por crimes de guerra

Tribunal especial em Haia condena Hashim Thaçi por crimes de guerra cometidos durante a guerra de independência do Kosovo da Sérvia, nos anos 1990. Decisão é passível de recurso.

Quarta, 16 de Setembro de 2026 às 10:51, por: CdB

Tribunal especial em Haia condena Hashim Thaçi por crimes de guerra cometidos durante a guerra de independência do Kosovo da Sérvia, nos anos 1990. Decisão é passível de recurso.

Por Redação, com DW – de Pristina

O ex-presidente de Kosovo Hashim Thaçi foi considerado culpado de crimes de guerra, incluindo assassinato, tortura e detenção ilegal, pelo tribunal especial para o Kosovo, em Haia, nesta quarta-feira.

Thaçi renunciou à presidência e se entregou ao tribunal após ter sido formalmente indiciado, em 2020

Thaçi, de 58 anos, foi sentenciado a 25 anos de prisão pelos crimes, cometidos quando era comandante de alto escalão do Exército de Libertação do Kosovo, de etnia albanesa, durante o violento processo de separação do território da Sérvia na década de 1990, no qual mais de 10 mil pessoas morreram.

A decisão representa um duro golpe para um homem que já foi apoiado pelo Ocidente, convidado para as negociações de paz de 1999 na França e visto como o líder capaz de conduzir o Kosovo à independência.

O tribunal especial para o Kosovo em Haia o declarou culpado pelo assassinato de 96 opositores políticos e de pessoas consideradas colaboradoras das forças de segurança sérvias por integrantes do Exército de Libertação do Kosovo durante o conflito.

Ele também foi condenado pela detenção arbitrária e ilegal de 385 pessoas, pela tortura de 303 e pelo tratamento cruel de 49. No entanto, foi absolvido das acusações de crimes contra a humanidade.

Organização

O tribunal afirmou que Thaçi participou ativamente e incentivou os crimes como parte de uma organização criminosa conjunta que seguia um plano comum.

Quase 300 testemunhas depuseram durante o julgamento, e 155 vítimas participaram do processo.

Segundo a promotoria, Thaçi e três outros réus integravam a liderança do Exército de Libertação do Kosovo.

Thaçi, que permaneceu em silêncio enquanto o juiz lia a condenação e a sentença, negou todas as acusações. Ele ainda pode recorrer da decisão, assim como a acusação.

Thaçi ocupou os cargos de primeiro-ministro, ministro do Exterior e presidente do Kosovo entre 2008 e 2020. Ele renunciou à presidência e se entregou ao tribunal após ter sido formalmente indiciado, em 2020. Desde então, permanece detido em Haia, e o tempo já cumprido em prisão será descontado da pena.

A decisão foi acompanhada de perto no Kosovo e na Sérvia, onde o legado do conflito de 1998-1999 e a declaração de independência do Kosovo em 2008 continuam sendo fonte de tensão entre albaneses kosovares e sérvios.

Thaçi continua sendo uma figura reverenciada por muitos albaneses do Kosovo, enquanto o próprio tribunal é profundamente impopular no país.

O Exército de Libertação do Kosovo foi criado no início da década de 1990 como um grupo militante de albaneses étnicos, no que era então uma província da Sérvia, e lutou de 1998 a 1999 pela independência do Kosovo da Sérvia. Esse objetivo acabou sendo alcançado com a ajuda da aliança militar da Otan.

O tribunal especial foi criado em 2015 e transferido para Haia por razões de segurança.

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