Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Emirados alertaram Netanyahu antes da ofensiva do Hamas

Reportagem afirma que Netanyahu ignorou alerta dos Emirados Árabes Unidos sobre ataque que Hamas planejava contra Israel. Premiê israelense nega: "Completa mentira".

Quarta, 09 de Setembro de 2026 às 13:00, por: CdB

Reportagem afirma que Netanyahu ignorou alerta dos Emirados Árabes Unidos sobre ataque que Hamas planejava contra Israel. Premiê israelense nega: “Completa mentira”.

Por Redação, com DW – de Jerusalém

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi alertado pelo presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU) de que o Hamas estava planejando uma grande ofensiva apenas alguns dias antes de o grupo palestino realizar o ataque de 7 de outubro de 2023, segundo uma reportagem publicada na terça-feira pelo jornal israelense Haaretz.

Israel debate o que Netanyahu sabia ou não antes do ataque de 7 de Outubro

O presidente dos EAU, Mohammed bin Zayed, teria conversado com Netanyahu dez dias antes do ataque e contou ao premiê que Yahya Sinwar, então líder do Hamas em Gaza e mais tarde morto por Israel, estava planejando uma operação, escreveu o diário.

Bin Zayed também expressou preocupação de que esse ataque não apenas causaria muitas vítimas, como também desestabilizaria toda a região e enfraqueceria os Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Israel e vários Estados árabes, de acordo com o jornal.

Segundo o Haaretz, Bin Zayed pediu a Netanyahu que levasse o alerta a sério e se preparasse para um possível ataque. Mas Netanyahu “reagiu com relativa calma”, afirmou o jornal, que escreveu que o premiê assegurou a Bin Zayed que Israel estava preparado para qualquer cenário e que um possível ataque seria mais provável a partir da Cisjordânia ocupada.

Segundo o Haaretz, o líder israelense não repassou o alerta aos seus chefes de segurança.

Militantes do Hamas mataram cerca de 1,2 mil pessoas e fizeram outras 251 reféns no ataque de 7 de Outubro. Centenas de israelenses, em sua maioria soldados, foram mortos nos combates das guerras em Gaza, no Líbano e contra o Irã. Em resposta ao ataque, Israel iniciou uma guerra contra os terroristas que resultou na devastação da Faixa de Gaza e na morte de milhares de civis palestinos.

Netanyahu: “Completa mentira”.

O Haaretz informou que o gabinete de Netanyahu classificou a reportagem como uma “completa mentira” e afirmou que Netanyahu não falou com o presidente dos EAU “durante o período em questão e não recebeu qualquer alerta dele”.

“Se houve alguma informação relevante, ela foi transmitida pelos canais de inteligência entre os dois países”, afirmou o gabinete do premiê.

Netanyahu tem rejeitado os apelos por uma investigação oficial do governo sobre os acontecimentos que cercaram o ataque de 7 de outubro.

O jornal Times of Israel informou na noite desta terça-feira que havia confirmado a reportagem do Haaretz, citando uma fonte emiradense não identificada que afirmou que Bin Zayed telefonou para Netanyahu poucos dias antes dos ataques do Hamas e o alertou de que o grupo estava planejando uma ofensiva contra Israel.

O Ministério do Exterior dos EAU se recusou a comentar as reportagens e afirmou que não iria se pronunciar sobre notícias ou especulações relacionadas a conversas entre líderes. Sem confirmar nem desmentir a reportagem do Haaretz, os EAU afirmaram que mantêm “linhas de comunicação abertas e diretas” com Israel desde que estabeleceram formalmente relações diplomáticas, há cinco anos. “Quando necessário, todas as informações de inteligência relevantes foram e continuam sendo comunicadas”.

Os EAU normalizaram suas relações com Israel em 2020 como parte dos Acordos de Abraão, mediados pelos Estados Unidos durante o primeiro governo do presidente Donald Trump.

Netanyahu considera a relação com os EAU uma conquista fundamental, e a rica nação do Golfo manteve seus laços com Israel mesmo quando grande parte do mundo criticava a ofensiva na Faixa de Gaza.

A investigação 

O Haaretz informou que três altos funcionários de governos estrangeiros foram informados sobre o conteúdo da ligação e citou um assessor de Bin Zayed familiarizado com a conversa. A investigação do jornal foi conduzida pelos jornalistas Shlomi Eldar e Ruth Yuval, que escreveram um livro a ser brevemente lançado sobre os reféns mantidos na Faixa de Gaza e a guerra em Gaza.

O jornal afirmou que a investigação se baseou em entrevistas com dezenas de fontes, incluindo autoridades de alto escalão em Israel e em outros países.

O Haaretz relatou que o então líder do Hamas, Yahya Sinwar, posteriormente morto por Israel, havia alertado um ex-funcionário palestino de que o grupo estava preparando “uma operação aterrorizante”, que ele descreveu como um “terremoto”. Segundo o jornal, esse ex-funcionário palestino repassou a mensagem a um assessor emiradense, que a transmitiu ao líder dos EAU. Este, então, teria telefonado para Netanyahu. A ligação teria durado cerca de 45 minutos.

Em entrevista a uma emissora de Israel, Eldar disse ser estranho que Netanyahu tenha guardado o alerta para si. “Ele não convocou nenhuma reunião especial, não informou os chefes de segurança depois daquela ligação telefônica, e o resultado foi o que vivenciamos em 7 de outubro.”

Eleição 

A reportagem do Haaretz é publicada às vésperas das eleições gerais de Israel, no próximo mês, com pesquisas indicando que nem o bloco de Netanyahu nem seus adversários têm maioria garantida.

As ações de Netanyahu em torno dos acontecimentos de 7 de outubro são uma questão central da campanha eleitoral e ganharam uma nova dimensão com a reportagem do Haaretz.

Essa ligação telefônica realmente ocorreu? Se sim, por que Netanyahu permaneceu em silêncio? O ataque do Hamas e a devastadora guerra em Gaza poderiam ter sido evitados? Essas são perguntas que estão sendo agora debatidas com ainda mais intensidade em Israel.

Netanyahu, o primeiro-ministro há mais tempo no cargo na história de Israel, busca um sétimo mandato na eleição de 27 de outubro. No entanto, ele enfrenta pressão devido ao ataque liderado pelo Hamas em 2023 e às guerras subsequentes em Gaza, contra o Irã e no Líbano. Pesquisas vêm apontando há meses para uma possível derrota de sua coalizão nacionalista-religiosa.

Seu principal rival, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, um ex-general de alto escalão e líder do partido centrista Yashar, tido como o principal adversário de Netanyahu na disputa eleitoral, aproveitou a nova reportagem para criticar o primeiro-ministro. Eisenkot acusou o premiê de ignorar dezenas de alertas antes do ataque e afirmou que ele não tem condições de continuar exercendo o cargo.

Outro rival de Netanyahu, Naftali Bennett, acusou Netanyahu de responsabilidade pessoal e direta pela falha de segurança que levou à morte de milhares de israelenses.

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